Nova Friburgo: História
Até o século XIX, a atual região de Nova Friburgo era habitada pelos índios Coroado Purí. Em 1818, visando melhorar as relações com a Alemanha para obter apoio contra o império francês, o Rei Dom João VI propôs a criação de um assentamento planejado no Brasil. Um decreto real autorizou o Cantão de Friburgo, na Suíça, a fundar uma colônia de 100 famílias na Fazenda Morro Queimado, no distrito de Cantagalo, devido às semelhanças climáticas com seu país. Entre 1819 e 1820, 265 famílias suíças, somando 1.458 imigrantes, colonizaram a área, batizada de Nova Friburgo em homenagem à terra natal da maioria dos colonos.
Após a Independência do Brasil em 1822, o Governo Imperial continuou a política de povoamento da nação atraindo colonização europeia. Oitenta famílias alemãs anteriormente designadas para assentamentos na Província da Bahia, por razões desconhecidas, acabaram em Nova Friburgo, onde chegaram nos dias 3 e 4 de maio de 1824. Chegadas semelhantes de italianos, portugueses e uma minoria de sírios levaram a aumentos populacionais tão grandes que a antiga vila foi elevada à categoria de cidade em 8 de janeiro de 1890.
Em 1872, o Barão de Nova Friburgo trouxe para a região a Estrada de Ferro Leopoldina, para permitir o fluxo do café de Cantagalo. A agricultura foi a base da atividade econômica até 1910, quando a chegada de industriais impulsionou o desenvolvimento de um setor industrial, que em parte ainda hoje prospera. A indústria têxtil foi liderada por três industriais conhecidos como a "Trindade Teutônica": Peter Julius Ferdinand Arp, Maximilianus Falck, e Otto Siems, fundadores, respetivamente, da Fábrica de Rendas Arp, da Fábrica Ypu Artefatos de Tecidos, Couro e Metal S. A., e da Fábrica Filó. Tanto o capital quanto o maquinário necessários para esta indústria foram importados da Alemanha. A demanda por mão-de-obra especializada levou à imigração de outros técnicos alemães, e durante a Primeira Guerra Mundial até de marinheiros alemães que tinham sido inicialmente detidos no Sanatório Naval de Nova Friburgo como prisioneiros. Além de gerar empregos, a indústria contribuiu para o desenvolvimento da cidade, promovendo o acesso à energia elétrica. Houve, inclusive, a construção de bairros inteiros a partir das vilas operárias, como o bairro Ypu, que pega o nome da Fábrica Ypu.
De igual importância para o desenvolvimento da cidade foi a relativa proximidade de Niterói e Rio de Janeiro e a melhoria das ligações de transporte e comunicação, como estradas asfaltadas e telégrafo. Isso estimulou o crescimento de uma pequena indústria turística que, com o comércio local, se tornou a principal fonte de renda da cidade.