Alagoinhas: História
A Freguesia de Santo Antônio das Alagoinhas foi criada em 1816, na então Capitania da Bahia, no contexto do processo de ocupação e organização do território que posteriormente formaria o município de Alagoinhas. Sua formação esteve associada à expansão dos caminhos de circulação entre o litoral e o sertão baiano, bem como ao crescimento econômico e demográfico verificado no final da segunda metade do século XVIII e início do século XIX.
As primeiras referências à capela das Lagoinhas remontam aos anos de 1748 e 1749, quando registros eclesiásticos mencionam sua existência em documentação produzida pela Igreja. Em 1757, o vigário Joaquim de Sant'Ana, descreveu o território vinculado à capela, delimitando seus limites e registrando a presença de fazendas e sítios voltados principalmente para a agricultura de subsistência. Sua localização junto à Estrada dos Boiadeiros, via de comunicação que ligava Salvador aos sertões do Piauí, contribuiu para o crescimento do povoado e sua integração econômica com outras regiões da Bahia.
O crescimento econômico e demográfico observado entre o final do século XVIII e o início do século XIX levou à criação da Freguesia de Santo Antônio das Alagoinhas em 1816.A elevação da capela à condição de freguesia representou importante reorganização administrativa e religiosa, permitindo que a população passasse a contar com autonomia para a realização dos principais sacramentos sem depender da matriz do Divino Espírito Santo do Inhambupe de Cima. O primeiro vigário da nova freguesia foi o padre José Rodrigues Pontes.
Ao longo da primeira metade do século XIX, a freguesia consolidou-se como o principal núcleo de povoamento da área que posteriormente daria origem ao município de Alagoinhas. Embora permanecesse subordinada administrativamente à Vila de Inhambupe e, após 1837, à comarca então criada, desempenhava papel central na organização religiosa, social e econômica da população local. A importância crescente do povoado é evidenciada pela Carta Topográfica e Administrativa da Província da Bahia, publicada em 1848, que já registrava o povoado de Lagoinhas, entre as principais localidades da província.
Em 16 de junho de 1852, por meio da Lei Provincial nº 442, foi criada a Vila de Alagoinhas.A emancipação marcou uma nova etapa da reorganização territorial da região, reconhecendo a relevância política, econômica e demográfica alcançada pela antiga freguesia. Em 1855, a vila recebeu foro civil, ampliando sua autonomia administrativa.
Nas primeiras décadas do século XIX, a economia baseava-se principalmente na agricultura e na pecuária. Destacavam-se o cultivo de milho, mandioca, cana-de-açucar, além de criação de gado. A estrutura fundiária compreendia propriedades rurais de diferentes dimensões, algumas delas dotadas de engenhos e sustentadas pelo trabalho de pessoas escravizadas.
Os registros paroquiais indicam que, entre 1818 e 1840, foram batizadas 2.686 pessoas escravizadas na freguesia, evidenciando a importância do trabalho escravizado na economia local. Em 1856, a população era estimada em 14.560 habitantes, distribuídos entre 3.556 homens livres, 4.122 mulheres livres, 3.900 crianças e 2.982 pessoas escravizadas. Esses dados revelam aspectos da estrutura demográfica e social da freguesia e, posteriormente, da vila de Alagoinhas durante a primeira metade do século XIX.