Trindade (Goiás): História
=== Origens e povoamento ===
A região, até o século XVI, era povoada por indígenas diversos, com destaque aos goiases e, com a colonização portuguesa, seu território tornou-se parte da Capitania de São Paulo. Os bandeirantes, após 1602, ocuparam os estados de Goiás, Mato Grosso e Minas Gerais à procura de metais preciosos; como consequência, em 1748, foi fundada a Capitania de Goiás, na qual se localizava a atual cidade de Trindade. Em termos geográficos, o local fazia parte do Distrito de Santa Cruz, criado em 1776, o qual abrangia todo o sul da capitania.
Com o fim do ciclo do ouro, no final do século XVIII, as atividades econômicas se voltaram para a agropecuária, principalmente a agricultura de subsistência. Assim, a região conquistou importância socioeconômica para o estado e sua população começou a aumentar gradativamente. O alferes Joaquim Gomes da Silva estabeleceu sua fazenda e construiu a primeira capela, dedicada a Nossa Senhora da Conceição, por volta da década de 1840 no arraial das Campininhas das Flores (atual Campinas, Guapó e Trindade). Simultaneamente, o casal mineiro de garimpeiros Ana Rosa e Constantino Xavier se mudaram para um local próximo ao Córrego Barro Preto, que daria nome ao futuro arraial e distrito. Às margens do curso-d'água, em 1843, eles encontraram um medalhão com a ilustração da Santíssima Trindade coroando a Virgem Maria. A partir daí, os mineiros o expuseram publicamente e inúmeras pessoas imigravam para o arraial de Barro Preto a fim de reverenciar a imagem em devoção.
Por volta de 1848, Rosa e Xavier planejaram a construção de uma capela coberta por folhas de buriti, onde ficaria o medalhão à disposição de todos que desejassem vê-lo. Com o objetivo de atrair mais indivíduos, o garimpeiro pediu ao escultor José Joaquim da Veiga Vale, que morava em Pirenópolis, para produzir uma réplica maior da imagem. Assim, a adoração à figura do Divino Pai Eterno foi o principal fator que contribuiu para o povoamento do lugar.
Em 12 de dezembro de 1894, padres redentoristas originários do estado de Baviera, na Alemanha, se instalaram no Distrito de Barro Preto para planejar a romaria que iria se iniciar a destino da igreja, a qual estava sob administração do Pe. Francisco Inácio de Sousa, nomeado por D. Eduardo Duarte e Silva. Em 1900, os padres saíram do lugar por causa de um conflito entre fazendeiros, orientado pelo coronel Anacleto Gonçalves; porém, o embate não durou muito tempo. Após a inauguração da Igreja Matriz de Campinas e a transferência da romaria para Campininhas em 1901, a repercussão de Barro Preto diminuiu consideravelmente e, três anos depois, as autoridades eclesiásticas ordenaram que o evento voltasse a ser realizado no local de origem com a presença dos redentoristas. …