Bento Gonçalves (Rio Grande do Sul): História
=== Contexto histórico ===
No final do século XIX, enquanto havia excesso de população na Europa, o Brasil modificou sua política de mão-de-obra e de terras. A maior parte do território brasileiro estava desabitada e sofria com a carência de mão-de-obra livre. Com o processo imigratório, o Brasil teria seus problemas resolvidos pela substituição da mão-de-obra escrava na lavoura e pelo povoamento de áreas desocupadas, com ênfase ao desenvolvimento agrícola das regiões do sul do Brasil. O território do Rio Grande do Sul ficou definido após três séculos e meio da chegada dos portugueses e espanhóis, onde ocorreram diversos conflitos pela disputa da terra. Pela ausência de recursos naturais do antigo sistema colonial, o Rio Grande do Sul ficou cinquenta anos isolado dos interesses tanto de Portugal quanto da Espanha.
Nos primeiros anos do século XVI, diversas expedições exploradoras portuguesas chegaram ao litoral, e passaram a chamar a terra de "Rio Grande de São Pedro". Esta ocupação portuguesa gerou diversos conflitos, além de acordos assinados para a delimitação das fronteiras. Em 1828, após a Guerra da Cisplatina chegar ao fim, foi assinado um acordo que delimitava a fronteira entre o Império do Brasil e o Uruguai. Os jesuítas também tiveram uma considerável importância para o desenvolvimento do Rio Grande do Sul. O comércio na região do Rio da Prata beneficiou as nações europeias, enquanto que a pecuária e a extração da erva-mate também foram decisivas para o processo de povoamento.
No Rio Grande do Sul, a imigração também era necessária para a revitalização da agricultura, principalmente para o cultivo de trigo, que estava abandonado desde 1820, além do povoamento das regiões da Campanha e dos Campos de Cima da Serra. Na região da Serra Gaúcha, a preocupação principal era no estabelecimento de núcleos para a produção de alguns alimentos para o mercado interno e urbano. Com isso, a divisão territorial foi refeita.
Em 1870, na Itália, chegava ao fim o movimento de unificação do país, onde as formas feudais são substituídas pelo capitalismo moderno. Mas antes, em 1855, o governo italiano institui altos impostos, endividando os pobres que perderam as terras para o governo ou para os proprietários maiores, também chamados de senhores, lembrando o feudalismo. O excesso de população aliado à doenças endêmicas e ao horror à guerra e ao serviço militar, deixaram o povo italiano sem perspectivas de melhorar sua própria qualidade de vida. A solução encontrada na época para uma vida mais digna era emigrar.
Desde a Idade Média, a Itália estava dividida em diversos estados, inclusive no século XIX, era constituída por algumas unidades políticas independentes. Com a difusão de ideias nacionalistas, além de um considerável crescimento do movimento liberal presente, a formação de um país unificado passou a ser defendida até mesmo pela burguesia. Surgiram ainda alguns conflitos entre as regiões do norte e sul, já que a porção norte tinha uma relação mais estreita com a Europa Central, que apresentava um alto e rápido nível de desenvolvimento industrial para a época, enquanto a porção sul tinha um povo com costumes mais arcaicos, com predomínio de estruturas latifundiárias. …