Caldas Novas: História
A região de Caldas Novas originalmente era habitada pelos indígenas caiapós e xavantes, dizimados pela escravidão e doenças dos colonos.
Em 1722, o bandeirante Bartolomeu Bueno da Silva, o filho, enquanto procurava por ouro na Serra de Caldas, descobre fontes de águas termais em sua vertente ocidental, ali fundando um assentamento nomeado “Caldas Velhas”, situado no local em que atualmente está a Pousada do Rio Quente. Há quem diga que estas fontes foram descobertas antes, visto que já constam em um mapa espanhol do século XVI.
Como o foco da Coroa Portuguesa neste momento na região de Goiás era a descoberta de pedras preciosas e o ouro da região de Caldas Velhas era escasso e de pouco interesse dos exploradores, as águas quentes da região permanecem esquecidas por décadas, sendo redescobertas em fevereiro de 1777 pelo bandeirante paulista Martinho Coelho de Siqueira em uma de suas caças, quando seus cães gritaram ao entrar na Lagoa de Pirapitinga. No dia 16 daquele mês, ele descobre fontes termais no Córrego das Lavras (atual Córrego Caldas), pouco tempo depois erigindo sua casa em suas margens, sendo esta atualmente um edifício histórico preservado situado dentro do Sesc Caldas Novas. Mais tarde, o bandeirante também descobre ouro em grande quantidade na região do pequeno curso d’água, fazendo com que Martinho requeresse uma sesmaria ali.
A descoberta de águas termais e ouro traz para a área um grande número de pessoas, que constroem suas casas ao longo do córrego. Forma-se, assim, a primeira povoação. No entanto, com a chegada às margens do córrego de um número cada vez maior de portadores de doenças contagiosas, os moradores do povoado afastam-se da estância.
Ao longo do século XIX, um grande número de migrantes vindos dos estados de Minas Gerais e São Paulo chega à região de Caldas Novas, como o mineiro Coronel Luiz Gonzaga de Menezes, importante personagem da história municipal.
Em 1816, Martinho falece e herda as suas propriedades seu filho Antônio Coelho de Siqueira, que recebeu em 1818 o governador da Capitania de Goiás Fernando Delgado de Castilho, o qual se cura de suas moléstias nas águas termais, e o naturalista francês Auguste de Saint-Hilaire, que estuda as propriedades das fontes. Falecendo Antônio em 1848, sua viúva, Dona Eufrásia Maria de Arruda, vende a propriedade para Domingos José Ribeiro.
Luiz Gonzaga de Menezes, proprietário da Fazenda Quilombo, situada a 15 km das fontes termais, combina com Domingos a transferência do povoado para um novo local. Assim, em 1850, é construída a Igreja Matriz de Nossa Senhora do Desterro, em patrimônio doado por meio de escritura em 27 de janeiro daquele ano. Ao redor deste templo, moradores do Quilombo e do arraial ao redor do Córrego das Lavras se fixam, originando o povoado de Caldas Novas.
Em 1853, foi criada, dentro da Vila de Santa Cruz, a Freguesia de Caldas Novas, cujo primeiro vigário foi o Cônego José Olinto da Silva. Nestes tempos, a economia da região se firmava como agricultora autossuficiente.
Em 1880, a Freguesia de Caldas Novas foi transferida à Vila Bela de Morrinhos, cuja sede estava mais próxima. Esta decisão teve influência do Capitão Cândido Gonzaga de Menezes, filho do Coronel Luiz. …