Itajubá: História
=== Primeiros tempos e ciclo do ouro ===
Os primeiros habitantes de Itajubá foram os indígenas puris, apelidados pelos não-indígenas de “coroados”, encontrados também no Vale do Paraíba.
As primeiras penetrações na região de Itajubá são datadas do final do século XVI, com a expedição de Martim Correia de Sá, partindo do Rio de Janeiro e da qual fazia parte Anthony Knivet, e a bandeira de João Pereira “Botafogo”, que partiu de São Paulo.
No século XVII, sobretudo na sua segunda metade, o sul de Minas Gerais foi percorrido por bandeirantes paulistas, partindo das vilas de São Paulo e Taubaté, que buscavam indígenas para escravizar e ouro, como Borba Gato, padre João de Faria Fialho e outros.
Em 1703, após desviar-se da rota tradicional dos bandeirantes no sul de Minas, que chegava ao vale do Rio Verde e em Baependi, o taubateano Miguel Garcia Velho descobriu ouro em diversos pontos do atual município de Delfim Moreira, mas o que mais lhe chamou a atenção foram as minas do Itagybá, perto da qual surgiu a povoação de Nossa Senhora da Soledade do Itagybá, antigamente conhecida como Itajubá Velho e atualmente sendo a cidade de Delfim Moreira, onde permaneceu por cinco anos.
Em 1746, as minas de Itagybá, até então parte da Capitania de São Paulo, passaram para a Capitania de Minas Gerais, após anos de disputas entre as duas entidades.
O garimpo em Soledade de Itagybá durou pouco. Em meados do século XVIII, as minas locais já haviam se esgotado, causando estagnação econômica, e muitos dos seus habitantes se retiraram dali, com os que permaneceram se dedicaram à agricultura e à pecuária, pelo fato de o ouro ter rareado.
Em 1817, o vigário da freguesia de Nossa Senhora da Soledade de Itagybá, criada em 1762, Padre Joaquim José Ferreira, faleceu e assumiu em seu lugar, no ano seguinte, o padre português Lourenço da Costa Moreira, que chegou vindo de Guaratinguetá. Não gostou da povoação, por causa do relevo acidentado e clima frio.
Expondo a situação da povoação, o padre Lourenço convidou alguns de seus paroquianos a seguirem com ele na busca de um local para fundar uma nova povoação. A caravana partiu em 17 de março de 1819 e, no dia 19, chegou à colina do Ibitira, no vale do rio Sapucaí, em cujo topo, em um primitivo altar de paus preparados a foice pelos seus acompanhantes, rezou a primeira missa ali, fundando a povoação de Boa Vista do Sapucaí (atual cidade de Itajubá). Posteriormente, foi erguida uma capela de pau-a-pique ali. A nova povoação atraiu muitos habitantes vindos de Soledade de Itagybá.
Por meio de um decreto imperial de 14 de julho de 1832, a povoação de Boa Vista do Sapucaí foi elevada à categoria de freguesia, subordinada à vila de Campanha da Princesa. …