Goianésia: História
A história de Goianésia remonta ao século XIX, com o registro de terras na Paróquia de Nossa Senhora da Penha de Jaraguá, feito por Antônio Manoel de Barros em 23 de dezembro de 1857. A propriedade, que abarcava mais de 3.400 alqueires, foi chamada Fazenda Calção de Couro, em referência ao córrego que cortava a região. Este registro foi um marco importante, pois, além de garantir a posse legal das terras, evitava conflitos de terras na época, um problema comum no Vale do São Patrício.
Em 1920, Ladislau Mendes Ribeiro, casado com uma neta de Antônio Manoel de Barros, iniciou a ocupação da fazenda ao construir uma residência à margem do córrego. No entanto, o povoado começou a se formar de fato em 30 de outubro de 1943, quando Laurentino Martins Rodrigues, que também possuía terras na região, levantou um cruzeiro à beira do córrego, marcando o início do desenvolvimento da localidade.
O povoado foi oficialmente reconhecido como distrito de Goianésia em 10 de agosto de 1949, por meio da Lei nº 10, sancionada pelo prefeito de Jaraguá, Nelson de Castro Ribeiro. A emancipação política da cidade, no entanto, se concretizou em 24 de junho de 1953, com a publicação da Lei nº 747, que desmembrava Goianésia de Jaraguá.
A cidade, que inicialmente prosperou com a lavoura de café, viveu um período de declínio com a queda da cafeicultura, mas se reergueu na década de 1970 com a adoção da pecuária e do cultivo de arroz, milho e feijão. Durante esse período, a agricultura de cana-de-açúcar também começou a se expandir, com a instalação de usinas e destilarias que impulsionaram a economia local.
Com o tempo, Goianésia se consolidou como um centro econômico no Vale do São Patrício, com destaque para a agroindústria e a produção de açúcar, etanol e energia. A cidade é reconhecida pela sua hospitalidade, organização e diversidade, sendo considerada a "Princesa do Vale do São Patrício", um título que enche de orgulho seus habitantes. Hoje, Goianésia é um município modelo, com uma economia dinâmica e uma sociedade que valoriza o progresso e a qualidade de vida.
Uma lenda conhecida na cidade diz que, há várias décadas, antes da fundação, dois viajantes percorriam as estradas e os lugarejos do interior de Goiás. Quando chegaram à região , às margens do córrego que mais tarde receberia o nome de Calção de Couro, acharam o lugar bom e decidiram acampar.
Enquanto um dos viajantes organizava o local para o acampamento, o outro foi em busca de algum morador nas redondezas. Ele chegou já bem tarde ao local do acampamento, mas, ao chegar, não encontrou mais o seu colega. No lugar dele, havia somente o calção de couro e o calçado, também de couro, que eles usavam. Diz a lenda que esse viajante foi devorado por uma onça que vivia na região. Por causa desse trágico acontecimento, o córrego passou a se chamar Calção de Couro, e, mais tarde, o vilarejo que surgiu ao seu redor também recebeu esse nome.
E assim, o nome foi mantido até que o vilarejo foi emancipado e recebeu oficialmente o nome de Goianésia. No brasão de armas do município, até hoje, é possível ver uma onça com um calção de couro, como uma homenagem a essa história que ficou marcada na memória da cidade. …