Registro (São Paulo): História
Até o momento, os mais antigos testemunhos da presença humana no Vale do Ribeira são provenientes do abrigo Maximiano, um sambaqui fluvial em abrigo de caverna datado de 9.810 +- 150 anos AP (datação calibrada), localizado no município de Iporanga. Além disso, diversos estudos arqueológicos demonstram que o rio Ribeira de Iguape era uma das poucas vias de comunicação entre o litoral e o planalto, já que as escarpas da Serra do Mar dificultavam consideravelmente o estabelecimento de caminhos. Embora a datação obtida no abrigo Maximiano ainda seja alv8o de discussões entre os pesquisadores, sendo necessárias mais pesquisas para que se possa entender a ocupação do vale por diversas populações, é consenso que esta região vem sendo habitada a mais tempo do que se supunha. Por conseguinte, no chamado Médio Ribeira (sub-área geográfica em que o município de Registro se localiza) também foram encontrados instrumentos líticos – machados, raspadores e pontas de projétil – relacionados à tradição tecnológica Umbu, datados de 1.300 anos atrás.
De acordo com as fontes históricas e arqueológicas disponíveis até o momento, a região do Vale do Ribeira era habitada por grupos carijós e guaianás na época em que os primeiros europeus chegaram ao atual litoral brasileiro. Os primeiros, falantes de um idioma pertencente ao tronco Tupi, habitavam extensas áreas do litoral meridional brasileiro, havendo relatos de seus assentamentos próximos à Lagoa dos Patos, no Rio Grande do Sul. Já os Guaianás (também chamados de Guaianazes ou Guaianãs) falavam um idioma pertencente ao tronco linguístico Macro-Jê sendo atualmente considerados ancestrais dos Kaingangs. Segundo consta, seus assentamentos eram mais frequentes no planalto paulista, próximos às calhas de rios como o Paranapanema e Tietê. Relatos etnográficos apresentam esses grupos indígenas como agricultores, consumidores de mandioca e de milho, cultivando também diversas espécies não alimentícias, como cabaças, tabaco, algodão e urucu. Suplementavam a dieta com coleta de frutos, raízes e nozes silvestres, além da caça. O Padre Jácome Monteiro, ao visitar a Capitania de São Paulo no início do século XVII, escreveu o seguinte relato sobre Carijós e Tapuias (outro nome por vezes dado aos indígenas falantes de idiomais Macro-Jê):“É esta nação dos Carijós a última, de todas as do Brasil, que habita para o Sul, e aquela onde fenece a conquista da Coroa de Portugal, das mil e cento e sessenta léguas, que domina por costa, começando do Grão Rio Pará, até o Rio da Prata, chamado Paraguai. Estende-se o distrito deste gentio, por espaço de cento e sessenta léguas por costa, que corre de Nordeste a Sudoeste, que tantas se contam desta Ilha de Santa Catarina até o Rio da Prata e vai entestar com os Charruas; e de Oriente a Poente, ficam metidos os Carijós entre dois paralelos, que os cingem pelo Oriente o mar oceano, e pelo Poente uma nação mui fera de Tapuias, que chamam Guaianás. Assim viveram sempre os Carijós fechados, sem nunca apoderem ganhar mais terra que a em que nasceram, porque o mar antes a come que não dá, e os Guaianás defendem a sua como cavaleiros, que na verdade são mui esforçados. …