Limoeiro do Norte: História
=== Início do povoamento ===
As terras da ilha fluvial formada pelos rios Jaguaribe e Banabuiú e pelas suas respectivas margens eram habitadas por diversas etnias Tapuias, entres elas os Paiacu.
Com a definitiva ocupação do território do Ceará na segunda metade do século XVII, chegaram os portugueses e seus descendentes oriundos do Rio Grande do Norte, Paraíba e Pernambuco nesta região ("povoamento Sertão de fora").
Nos séculos XVI e XVII, a região possuía localização estratégica durante o desenvolvimento da pecuária nos sertões do Ceará porque servia como importante trecho da "Estrada Geral do Jaguaribe", que ligava o litoral de Aracati e a primeira vila do interior cearense: Icó. Durante o século XVII, com o gado criado nas ribeiras do Rio Jaguaribe, inclusive na região do Limoeiro, o Ceará passa a ter um novo perfil econômico e social, desenvolvendo seu primeiro grande ciclo econômico, que duraria até a Grande Seca de 1777.
Em 1861, o Padre Francisco Ribeiro Bessa foi eleito deputado da Província do Ceará, lutando para a instalação de Freguesia autônoma em Limoeiro, conseguindo isso por meio da Lei 1.081 de 04 de dezembro de 1863. E em janeiro de 1864 conseguiu obter autorização do Bispo para sua nomeação como primeiro vigário da nova Freguesia. No entanto, em uma reviravolta da oposição liberal, o novo Presidente da Província Lafayette Rodrigues Pereira (1864-1865) sancionou a Lei n. 1.118, de de 08 de novembro de 1864, ordenando a transferência da sede da Freguesia de Limoeiro para São João do Jaguaribe, povoação menos populosa situada ao sul de Limoeiro, mas esta lei somente foi efetivada em 1868. Como reação, o Cônego Bessa voltou a se candidatar a deputado provincial para o restabelecimento da sede da Paróquia em Limoeiro. Foi eleito e reeleito para os mandatos de 1870-71 e 1872-1873. Assim, conseguiu a aprovação da Lei n. 1358 de 04 de novembro de 1870, que restabeleceu a criação da Freguesia de Limoeiro e determinou o retorno da sede da mesma para o Distrito, o que se efetivou em 1871.
Por meio da Lei provincial nº 1042, de 22 de julho de 1871, foi Limoeiro transformado em Vila municipal, sendo instalada e dado posse à Câmara em 30 de julho de 1873. Sendo, portanto, este o primeiro momento de autonomia municipal formal. Em 1873, assumiu como Presidente da Câmara e gestor municipal João Ennes da Silva, um aliado de Francisco Ribeiro Bessa.
Na época, o fato de ser Vila permitia que os limoeirenses se autogovernassem por meio de sua Câmara de Vereadores. Por isso, já seria possível afirmar uma autonomia ou emancipação política.
Após ser constituída a Vila de Limoeiro, não havia cargo de prefeito ou vice. O Presidente da Câmara ficava responsável pela gestão. Na primeira eleição, além de João Ennes (Presidente), foram eleitos: Antônio Alves de Carvalho Lima, Fernando Deodato Collares, André Nogueira Epiphanio, Manoel Lourenço de Oliveira Gondim, José da Costa Silva e Agostinho Xavier Nogueira. Nessa época, os únicos eleitores de Limoeiro eram: João Ennes (Presidente da Câmara), os seis outros vereadores, Francisco Ribeiro Bessa (deputado), João Anselmo da Silveira Vidal, Elias Antônio Correia Vieira, Simplício de Hollanda Bezerra, Serafim Tolentino Freire Chaves, professor André Felício Chaves, João Antônio Rodrigues Chaves, José Lopes da Silva, Joaquim Balduíno Freire, Antônio Florêncio Freire, José Soares Martins, José Avelino Freire Chaves, Manuel Martins Barbosa, Francisco Rodrigues Guimarães e João Anselmo Filho. …