Ponte Nova: História
=== Primórdios ===
A área do atual município teria sido povoada por puris e aimorés antes de ser explorada e colonizada por forasteiros. Miguel Antônio do Monte Medeiros adquiriu uma sesmaria em Ponte Nova em 1755, tendo fundado a Fazenda Vargem Alegre no ano seguinte, quando já possuía 45 escravizados, e doado terras a seus irmãos. Em 1762, já existia um movimento associado à construção de uma ponte sobre o rio Piranga.
Em 1763, padre João do Monte Medeiros, irmão de Miguel do Monte Medeiros, fundou a Fazenda Vau-Açu, com depósito, curral, uma senzala e uma sede. O local ainda existe, conhecido como sede da Usina Santa Helena. Em uma área dessa fazenda foi construída uma capela dedicada a São Sebastião e Almas, que foi inaugurada em 15 de dezembro de 1770. Esse templo fez com que o povoamento que estava se estabelecendo na margem esquerda do Piranga pudesse ser reconhecido, subordinado a Mariana.
O declínio da produção de ouro na região central mineira levou investidores a adquirir terras na região de Ponte Nova, onde deram início ao cultivo da cana-de-açúcar, que se tornou comum no final do século XVIII. A localidade era denominada São Sebastião da Ponte Nova. Pelo decreto de 14 de julho de 1832, foi criado o distrito pertencente a Mariana, após o reconhecimento da paróquia. Foi emancipado de Mariana pela lei provincial nº 827 de 11 de julho de 1857, sendo elevado à categoria de cidade pela lei provincial nº 1.300 de 30 de outubro de 1866. Em 1883, o nome foi simplificado para "Ponte Nova".
Ao longo do século XIX e começo do século XX, o cultivo da cana-de-açúcar permitiu o desenvolvimento do município, que chegou a ser um dos maiores produtores de derivados da cana em Minas Gerais naquele período. Nesse tempo foram multiplicadas as propriedades rurais com engenhos próprios, enquanto era comum que a produção fosse exportada para outras regiões da província de Minas Gerais. Contudo, a inauguração da Estrada de Ferro Leopoldina, em 1866, favoreceu a exportação para fora da província. Foram algumas das principais usinas: Ana Florência (inaugurada em 1883), da Jatiboca (1920), São José (1935) e Santa Helena (1940).
No decorrer dos séculos XIX e XX, o município passou por diversas modificações territoriais, com sucessivas criações e emancipações de distritos. De Ponte Nova foram desmembrados, por exemplo, os municípios de Manhuaçu (1877), Rio Casca (1911), Jequeri (1923), Barra Longa (1938), Santa Cruz do Escalvado (1948), Amparo do Serra, Piedade de Ponte Nova, Rio Doce, Urucânia (1962) e Oratórios (1995). Da área que restou além da sede municipal, o distrito de Vau-Açu foi reconhecido em 27 de dezembro de 1948 e Rosário do Pontal em 8 de outubro de 1982.
Na década de 1930, a Estrada de Ferro Leopoldina chegou a fornecer transporte ferroviário de Caratinga à cidade do Rio de Janeiro, passando por Ponte Nova, mas a via férrea se fragmentou ao longo do tempo. Até o começo da década de 80 ainda havia transporte ferroviário de passageiros até Três Rios, no estado do Rio de Janeiro, porém a linha foi erradicada na década seguinte.
O cultivo da cana-de-açúcar perdeu representatividade na região, embora outras atividades econômicas tenham entrado em ascensão, como a suinocultura, o comércio e o turismo. O município também se consolidou como um centro regional de prestação de serviços, com a presença de equipamentos de saúde e educação que atendem às demandas de cidades do entorno.