Porto Feliz: História
Porto Feliz nasceu na margem esquerda do rio Tietê, em um lugar que os indígenas nativos chamavam de Araritaguaba (termo tupi que significa "lugar de as araras comerem pedras", através da junção dos termos arara ("arara"), itá ("pedra") e u + -aba ("lugar de comer"), em referência aos paredões salitrosos, onde essas aves buscavam salitre. O mais antigo registro conhecido do local é de 1693 e refere-se a uma fazenda de António Cardoso Pimentel que originou o povoado.
Entre 1790 e 1830, Porto Feliz, juntamente com as cidades de Itu e Campinas, controlava a produção açucareira da então Capitania de São Paulo. Era uma zona das mais povoadas, e o número de escravos pouco inferior aos de Itu e Campinas.
Depois de favorecido pela conjuntura do final do século XVIII, ocasião em que renasceram os engenhos paulistas, o açúcar brasileiro enfrentou uma fase de recessão, a partir de 1830, originada pelo aumento da concorrência nos mercados internacionais. Como consequência, com o passar dos anos a produção açucareira de Porto Feliz foi perdendo importância, muitos engenhos foram desativados e centenas de escravos vendidos.
Na década de 1870, começaram a ser criados no Brasil modernas fábricas de açúcar, os chamados Engenhos Centrais. Um grupo de fazendeiros de Porto Feliz resolveu também construir um engenho central, na tentativa de superar os problemas econômicos do município, e em 1876 organizou a Companhia Açucareira de Porto Feliz. No contrato que a Companhia assinou com o Governo Imperial para a garantia de juros, então em vigor para capitais empregados em estabelecimentos desse gênero, ficava proibida a utilização do trabalho escravo, ao mesmo tempo que facilitava a aquisição de terrenos devolutos para posterior revenda à imigrantes europeus.
Entretanto, não havia providencias concretas para a introdução de trabalhadores na região. Criado o Engenho Central, o cultivo do canavial e a fabricação do açúcar formaram dois setores separados, com a aplicação de métodos ‘’modernizantes” apenas no segundo setor. A deficiência de trabalhadores e de novas técnicas na lavoura, a deficiência dos meios de transporte da cana e o desinteresse dos plantadores em assumir compromissos de fornecimento, geraram uma série de crises no abastecimento de matéria prima.
A rápida expansão da economia cafeeira do estado para o chamado “Oeste Paulista”, praticamente despovoado até meados do século XIX, ocorreu em um momento no qual o movimento abolicionista ganhou poder, que começou com a Lei Eusébio de Queirós de 1850, seguida pela Lei do Ventre Livre de 1871, a Lei dos Sexagenários de 1885 e finalizada pela Lei Áurea em 1888, e, assim reduzindo até proibindo a continuação de uso de escravos na produção.
Para substituir a mão de obra escrava, os proprietários de terra passaram a atrair imigrantes europeus no exato momento que a crise econômica assolava vários países da Europa. Essa conjuntura favoreceu a implantação de um fluxo imigratório para a então província de São Paulo e, paulatinamente, os imigrantes europeus foram substituindo a mão de obra escrava nas grandes lavouras de café sob diversas formas como regime de parceria, imigração espontânea ou subvencionada. …