Vargem Grande Paulista: História
Datam de cerca de 6.000 anos atrás os primeiros vestígios arqueológicos localizados na região metropolitana de São Paulo. Identificado no bairro do Morumbi, o local se tratava de uma oficina lítica, onde diversos grupos ameríndios extraíam matéria-prima (sílex e arenito silicificado) para produção de ferramentas de pedra lascada. De acordo com as pesquisas realizadas no local, tais ferramentas se tratavam de machados, raspadores, facas e pontas de flecha.
Quando da chegada dos primeiros colonizadores portugueses no século XVI, a região da atual Grande São Paulo era habitada pelos Guaianás (também chamados de Guaianazes ou Guaianãs). Embora durante muito tempo identificados como grupos ligados aos tupis, o fato de seu idioma pertencer ao tronco linguístico Macro-Jê faz com que sejam atualmente considerados ancestrais dos Kaingangs.
Com a chegada dos jesuítas à região, aldeamentos indígenas especificamente voltados para a catequese dos Guaianás, bem como de outros povos ameríndios, foram fundados nos arredores da Vila de São Paulo de Piratininga. Esse fato, aliado à escravização e mortes por doenças trazidas pelos colonizadores, bem como o deslocamento de muitos dos grupos para o interior da colônia, acabou por extinguir a presença Guaianá nessa área do planalto paulista.
Além dos Guaianás, também há relatos a respeito dos Carijós, a partir dos quais se deu a origem da aldeia de Koty (atual município de Cotia, do qual Vargem Grande Paulista posteriormente se emancipou). Segundo consta, o núcleo carijó teria sido formado em meados do século XVII – já durante o período colonial, portanto – por iniciativa do Coronel Antonio Vieira Tavares, fazendeiro que detinha terras naquela localidade.
A aldeia provavelmente situava-se nas colinas entre o rio Cotia e trilhas relacionadas ao Caminho do Peabiru, os quais posteriormente compuseram parte do Caminho das Tropas. A localidade já era conhecida pelo plantio do trigo já na década de 1620, sendo mencionada em documentos da Câmara de São Paulo da primeira metade do século XVII.
Vargem Grande (ou seja, "várzea grande") é um nome português antigo aplicado à várzea de vários rios por todo o Brasil. Na Freguesia de Cotia (fundada em 1723) e depois município de Cotia (fundado em 1856), Vargem Grande era o nome da região que ficava na confluência entre a várzea do atualmente denominado Ribeirão da Vargem Grande e a rota bandeirante no século XVII e rota de tropeiros que traziam muares do Paraguai nos séculos XVIII e XIX (tronco principal do antigo Caminho do Peabiru), que deu origem à Estrada São Paulo-Paraná em 1922 e à Rodovia Raposo Tavares (SP-270) em 1954.
O bairro cotiano (ainda rural) de Vargem Grande, bem como o caminho dos tropeiros que, da cidade de São Paulo, passava por Cotia, São Roque e Sorocaba, rumo a Itapetininga (e, daí, ao norte do Paraná e ao Paraguai), já figuram em vários mapas do século XIX, como o de Eschwege, Martius e Schwarzmann, publicado em Munique em 1831, entre a localidade de Marandatuba (a atual região da Estrada Municipal do Maracanduva) e a Serra de São Roque.
De acordo com a tradição local, as matas do já mencionado Ribeirão da Vargem Grande eram frequentadas por Dom Pedro I, o qual tinha por hábito caçar na região. De acordo com as mesmas fontes, o primeiro imperador brasileiro se hospedava com certa frequência em um casarão colonial na Estrada da Lagoa, de propriedade de Joaquim de Oliveira. …