Pontes e Lacerda: História
Pontes e Lacerda localiza-se em uma área inicialmente habitada por indígenas Nambikwara, que foram massacrados pelos bandeirantes paulistas no século XVIII, pelos garimpeiros nos séculos XVIII-XIX e pelos madeireiros, seringueiros e grileiros no século XX. Os Nambikwara foram reduzidos pelo padre jesuíta Antônio Iasi Júnior, que buscou a criação da Terra Indígena Sararé, uma área de 67.420 hectares onde 71 indígenas vivem atualmente.
Em 1786, Antonio Pires da Silva Pontes e Francisco José de Lacerda e Almeida, dois cartógrafos e astrônomos formados pela Universidade de Coimbra, Portugal, esboçaram a primeira carta geográfica das bacias Amazônica e do Prata. Durante os levantamentos, Pontes e Lacerda passaram pela localidade, que recebeu esse nome em sua homenagem.
Em 1906, durante os levantamentos da Comissão de Linhas Telegráficas e Estratégicas de Mato Grosso ao Amazonas, mais conhecida como Comissão Rondon, foi construído o Posto Telegráfico (hoje restaurado). Esse foi o ponto de referência utilizado pelo governador do Estado, Pedro Celestino Correa da Costa, em 19 de julho de 1909, quando reservou 3.600 hectares para uma futura povoação. O primeiro morador de que se tem notícias foi Mariano Pires de Campos, sertanista, que chegou à localidade acompanhado de índígenas Pareci, em 1947, buscando Poaia (uma planta medicinal). Ele construiu um barraco ao lado da Estação Telegráfica, onde ficou abrigado.
Em 1954, o engenheiro Ariel e o picadeiro Jorge Lemes chegaram à localidade a serviço da Companhia Sul do Brasil, e passou a residir perto da Estação Telegráfica.
Em 1961, uma equipe do DNER e suas máquinas chegaram a Pontes e Lacerda para a construção da BR-174. Acamparam próximo à Estação Telegráfica porque precisavam se comunicar com Cáceres e Cuiabá. Depois que a rodovia estava concluída, o chefe de máquinas Dorvalino Moreno Gomes e o cozinheiro Manoel Basão, decidiram permanecer na localidade.
Em 1963, as famílias Freitas Azambuja e Fagundes da Costa chegaram a Pontes e Lacerda, e em 1965, os Barbosa e os Lemos. Todos vieram para abrir as matas e criar bovinos e cultivar lavouras nas fazendas formadas. Em 1967, a Família Podolan de Campo Mourão-PR instalou uma serraria de grande porte e construiu cerca de 50 casas para seus funcionários. Também construíram abrigo dos departamentos administrativos, máquinas, caminhões e equipamentos. Surgiu, assim, um novo núcleo populacional, localizado a 2 km da estação telegráfica. No mesmo período, chegaram os Timóteo Rodriguez de Cáceres-MT, os Bronski Afonso de Campo Mourão-PR, os Moreira Gomes de Dias de Souza, e os Libório do leste de Minas Gerais.
Nos anos seguintes, continua a migração para suprir a mão-de-obra para as diversas atividades regionais: extração da madeira, lavouras, serrarias, estabelecimentos comerciais, serviços gerais etc. Em 1971, a extinta Companhia Desenvolvimento do Estado de Mato Grosso (CODEMAT) instalou um escritório no povoado para tratar a regularização fundiária urbana e rural. …