Paraty: História
=== Povos indígenas ===
Originalmente, a região de Paraty era habitada pelos indígenas guaianás, do tronco linguístico macro-jê. Por volta do ano 1000, chegaram à região os tupis, vindos da Amazônia, que eram ancestrais dos tamoios encontrados pelos portugueses no século XVI.
Após a chegada dos europeus, no século XVI, a dinâmica da população indígena em Paraty sofreu transformações significativas. O contato com os colonizadores trouxe consigo desafios como doenças, para as quais os indígenas não tinham imunidade, e conflitos territoriais, que alteraram profundamente as estruturas sociais e culturais desses povos. No entanto, vestígios da resistência e da influência indígena permanecem na área, visíveis em aspectos da cultura local, como as festas de São Benedito, tradicionalmente associadas aos descendentes dos escravizados e indígenas, e na culinária, que ainda conserva traços dos métodos tradicionais de preparo dos alimentos. Além disso, a região de Serra da Bocaina, próxima a Paraty, é um importante refúgio para os descendentes dessas comunidades indígenas, onde tentam preservar suas tradições e modos de vida, apesar da crescente pressão do turismo e expansão urbana.
Nos primeiros anos do século XVI, os portugueses já conheciam a trilha aberta pelos indígenas guaianás (Trilha dos Guaianás), ligando as praias de Paraty ao vale do Paraíba, no atual estado de São Paulo, transpondo a Serra do Mar. O primeiro registro escrito sobre a região da atual Paraty é o livro do mercenário alemão Hans Staden, "História verdadeira e descrição de um país de selvagens" (1557), que narra a estadia deste por quase um ano em aldeias tupinambás nas regiões de Paraty e de Angra dos Reis.
Em 1597, Martim Correia de Sá, filho do governador da Capitania do Rio de Janeiro, Salvador Correia de Sá, empreendeu uma expedição para o Vale do Paraíba contra os guaianás locais. Partindo do Rio de Janeiro com 700 portugueses e 2 mil indígenas, a expedição percorreu por mar até a atual Paraty, de onde, por terra, percorreram a Trilha dos Guaianás.
Entre o final do século XVI e início do século XVII, colonos paulistas da Capitania de São Vicente se fixaram no atual território paratiense e fundaram uma povoação no morro de São Roque (atual Morro da Vila Velha), surgida em torno de uma capela em louvor a São Roque. Por volta de 1640, esse povoado foi transferido para o atual centro histórico de Paraty, em uma área entre os rios Perequê-Açu e Patatiba, doada anos antes por Maria Jácome de Melo, que, ao doar, impôs que a nova capela fosse em louvor a Nossa Senhora dos Remédios e que se protegesse os indígenas.
Em 1660, atendendo a um pedido da população do povoado, em pleno florescimento, este foi elevado à categoria de vila pelo capitão-mor da Capitania de São Vicente, Jorge Fernandes da Fonseca, em conformidade com o governador do Rio de Janeiro, Salvador Corrêa de Sá e Benevides, e o rei de Portugal, Dom Afonso VI. No entanto, a Câmara de Angra dos Reis, à qual Paraty pertencia anteriormente, protestou contra. Apenas em 28 de fevereiro de 1667, por meio de Carta Régia, que foi criada a vila de Nossa Senhora dos Remédios de Paraty.
Em 2 de outubro de 1667, segundo Pedro Taques, a vila de Paraty foi instalada, com a posse da primeira Câmara Municipal.
No final do século XVII, a descoberta de jazidas de ouro em Minas Gerais trouxe grande movimento de pessoas por ali. A vila cresceu e o Caminho Velho, passando pela antiga Trilha dos Guaianás, foi ampliado. …