Santana do Paraíso: História
=== Colonização da região ===
A área do atual município de Santana do Paraíso não reportou uma significativa colonização até meados do século XIX, exceto representantes dos Nack-ne-nuck, descendentes de botocudos. Expedições à procura de metais preciosos também estiveram na região nas áreas próximas ao rio Doce, porém o desbravamento teve início somente após 1809, a mando de Dom João VI de Portugal, que visava a civilizar os indígenas do Vale do Rio Doce. Dessa forma, as terras foram repassadas a Antônio Rodrigues Taborda, que comandou as operações de ocupação, no entanto a resistência dos nativos, a mata densa e a proliferação de doenças tropicais desincentivavam a exploração.
Em 1819, o francês Guido Marlière foi nomeado administrador da região do rio Doce. Ele conquistou os povos nativos e executou a abertura de estradas, muitas das quais passaram a ser utilizadas por tropeiros. Uma dessas estradas, que ligava Antônio Dias e Coronel Fabriciano a Ferros, passava pela Cachoeira do Engenho Velho, próxima ao atual Centro de Santana do Paraíso, onde se estabeleceu um ponto de parada. Esse local ficou conhecido como Taquaraçu, que significa "grande bambu", e se transformou em um ponto de referência e centro comercial, dando início ao surgimento de um povoamento.
O primeiro ponto comercial de Taquaraçu foi a Fazenda da Cachoeira do Engenho, que com o passar do tempo equipou-se com moinho, máquinas de limpar café e arroz e armazéns de cereais. A produtividade das terras, a farta caça e a variedade de cursos hídricos propícios à pesca incentivaram a locação de novos moradores. Expedições foram realizadas seguindo o curso do ribeirão do Achado e seus afluentes sob o contexto de explorar as terras locais, por volta de 1845. Em 16 de agosto de 1885, um grupo de moradores fez uma doação de terras em nome de Santa Ana, onde seriam construídas residências destinadas aos pobres. Nessa mesma ocasião, ocorreu a consagração da primeira igreja do povoado, dedicada a São Vicente.
Dado o desenvolvimento do povoado, pela lei municipal nº 26, de 16 de novembro de 1892, houve a criação do distrito, com a denominação de Ipanema e subordinado a Itabira. Pela lei estadual nº 556, de 30 de agosto de 1911, o distrito recebeu a denominação de Santana do Paraíso e passou a pertencer a Ferros, no entanto foi transferido para o município de Mesquita pela lei estadual nº 843, de 7 de setembro de 1923. A denominação "Santana do Paraíso" é uma referência à padroeira Santa Ana e aos atrativos naturais, que lembram um "paraíso". O local registrou novos períodos de desenvolvimento sob influência da instalação da Acesita em Timóteo, na década de 1940, e da Usiminas em Ipatinga, na década de 1950.
A proximidade de Santana do Paraíso com o chamado Vale do Aço, aliada ao fácil acesso a Ipatinga por meio da MG-232, favoreceu a expansão do núcleo urbano original do distrito. Por outro lado, uma nova zona de desenvolvimento se estabeleceu em outro trecho do território municipal, próximo à divisa com Ipatinga, cortado pela BR-381 e BR-458. Às margens dessas rodovias se estabeleceram diversos loteamentos, em especial após a década de 1980, tendo em vista também a instalação do Aeroporto de Ipatinga em território paraisense em 1959, próximo à BR-381. Com a locação desses novos bairros, surge uma conurbação com a zona urbana de Ipatinga paralela à sede original de Santana do Paraíso, incorporando o atual município à aglomeração urbana do Vale do Aço. …