Itabaianinha: História
=== Fundação e colonização ===
Segundo o historiador Laudelino Freire, antes de ser colonizada, a região possivelmente foi ocupada por uma aldeia indígena. O primeiro povoamento foi fundado em meados do século XVIII por tropeiros (comerciantes viajantes) oriundos de Itabaiana, que, enquanto levavam tecidos de algodão para as terras mais ao sul, construíram algumas edificações e uma capela num lugar à época denominado como "alto do urubu". Talvez muito por conta disso, a primeira cultura da economia local do povoado foi a lavoura algodoeira.
A primeira menção escrita à localidade se dá em 1808, no livro "Memória sobre a Capitania de Sergipe", do então padre Marcos Antônio de Sousa (que futuramente seria o primeiro bispo do Brasil independente), num trecho que versa justamente a respeito desse tema:
O povoado estava em crescimento e com evolução urbana relativamente acelerada. Por exemplo, em 1827, por lei imperial, foi instituída uma escola de primeiras letras na localidade, sendo que o texto legal especificava sua aplicação em "cidades, vilas e lugares mais populosos do Império". Em vista disso, no ano de 1834 o Presidente da Província de Sergipe encaminhou à Assembleia Geral um projeto de lei que propunha a emancipação política, civil e religiosa do povoamento.
Assim sendo, em 1835, ocorreram diversas transformações no estatuto jurídico de Itabaianinha, culminando em sua emancipação em 19 de fevereiro daquele ano. Primeiramente, em 17 de janeiro ela foi anexada ao recém-criado município de Nossa Senhora dos Campos do Rio Real (atual Tobias Barreto). Depois, foi elevada a distrito e freguesia em 6 de fevereiro, e finalmente promovida a vila no dia 19 de fevereiro, marco que, na legislação imperial, representava a autonomia política de uma localidade, com ela passando a ter Câmara de Vereadores, cadeia pública, faculdade de cobrar tributos locais e de estabelecer normas no escopo municipal, as chamadas "posturas".
Nessa mesma data, a Vila de Nova Thomar (atual Tomar do Geru), que estava em decadência, foi anexada a Itabaianinha. O novo município apresentou, a princípio, contendas territoriais a respeito dos limites com Campos, a oeste, chegando a população local a tentar impedir a criação deste.
Na segunda metade do século XIX, foi afetada por uma epidemia de cólera e, posteriormente de varíola que, em 1870, chegou a vitimar um grande número de pessoas, incluindo 77 idosas, consternando a população local. Com a expansão do higienismo, que estava em voga no mundo da época, a Câmara, o vigário paroquial Bernardino de Senna Amaral e a Assembleia Legislativa Provincial acabaram por, numa ação coordenada, construir o Cemitério Senhor do Bonfim como medida de saúde pública, em substituição aos ritos mortuários intra muros, isto é, dentro da igreja.
De acordo com o Censo de 1872, o único recenseamento a nível nacional realizado durante o período imperial, Itabaianinha contava pouco menos de dez mil habitantes, sendo por volta de 10,5% escravos e o restante livre. A maior parte da população vivia da agricultura, mas também se verificava considerável presença de profissionais de corte e costura.
Com a Proclamação da República no Brasil, a Câmara Municipal de Itabaianinha aderiu ao novo regime em duas sessões, nos dias 24 e 27 de novembro de 1889, sendo o órgão dissolvido pouco depois, junto com as demais casas legislativas pelo país. …