Castelo (Espírito Santo): História
=== Mineração e ocupação colonial ===
A documentação histórica sobre a região de Castelo está ligada às tentativas de exploração mineral no interior da então Capitania do Espírito Santo. Em carta dirigida ao rei e datada de 8 de setembro de 1735, o minerador Pedro Bueno Cacunda relatou ter encontrado ribeirões e povoado uma serra que já era chamada de “Castello”. A transcrição do documento foi reproduzida por José Teixeira de Oliveira em sua história do Espírito Santo.
A mineração também esteve inserida em conflitos entre colonizadores e povos indígenas. Segundo a mesma obra, em 1771 os puris atacaram as minas do Castelo e obrigaram os trabalhadores a abandonar a região.
A expansão agrícola ganhou importância durante o século XIX. A Fazenda do Centro, estabelecida no vale do rio Caxixe em 1845, tornou-se núcleo produtor de café e outros gêneros por meio de trabalho escravizado. Pesquisa de doutorado da Universidade Federal do Espírito Santo examina a relação entre fazendeiros, população negra e imigrantes no distrito de Estação do Castello entre 1891 e 1928, situando a formação territorial da localidade no contexto das grandes propriedades rurais, da cafeicultura e das transformações posteriores à abolição.
No início do século XX, a Fazenda do Centro foi adquirida pela Ordem dos Agostinianos Recoletos e parcelada para famílias de imigrantes italianos. A propriedade foi tombada pelo Conselho Estadual de Cultura em 1984. O Arquivo Público do Estado publicou uma obra específica sobre a fazenda e a colonização italiana no sul capixaba, baseada em memórias e documentação relacionada à propriedade.
Na década de 1880 foi construído o Ramal do Castelo, com aproximadamente 21 km, integrado à Estrada de Ferro Caravelas. A inauguração da ligação ferroviária entre Cachoeiro de Itapemirim, Castelo e Alegre ocorreu em 16 de setembro de 1887. A ferrovia apoiava o transporte regional, especialmente em uma área de expansão cafeeira, e foi vendida à Leopoldina Railway em 1907. Os trechos originais permaneceram em operação, em sua maioria, até a década de 1960, quando o transporte rodoviário passou a ser priorizado no país.
De acordo com a formação administrativa compilada pelo IBGE, o distrito de Estação Castelo foi criado pela Lei Estadual nº 1.887, de 31 de julho de 1891, subordinado a Cachoeiro de Itapemirim. A localidade foi elevada à categoria de vila pela Lei Estadual nº 1.687, de 25 de dezembro de 1928, instalada em 7 de maio de 1929, e elevada à condição de cidade pela Lei Estadual nº 1.720, de 30 de dezembro de 1929.
Em 1963, o distrito de Conceição do Castelo foi desmembrado para formar um município próprio. A organização distrital de Castelo foi alterada nas décadas seguintes, com a criação de Estrela do Norte em 1979 e Patrimônio do Ouro em 1998, além da consolidação de Monte Pio e da denominação Limoeiro, anteriormente registrada como Aracuí.