Oeiras (Piauí): História
Oeiras foi o berço da colonização portuguesa no Estado do Piauí. Oeiras teve seu surgimento motivado pela criação bovina. Em meados do século XVII, a criação de gado foi empurrada pela Coroa Portuguesa para o interior, com o intuito de deixar as terras próximas ao litoral livres para o plantio da cana-de-açúcar, atividade mais lucrativa do Brasil Colônia à época. Com isso, a Coroa portuguesa doou terras no interior da Região Nordeste do Brasil para a povoação portuguesa, Luso-brasileira e criação bovina, em regime de sesmarias.
Sendo assim, dezenas de bandeirantes se adentraram pelas terras do interior nordestino, em busca de terras apropriadas para criar gado. Um desses foi o português Domingos Afonso Mafrense, em conjunto com seu irmão Julião Serra, que foram os responsáveis pela colonização das terras onde hoje se localiza o município de Oeiras e a fundação da Igreja Matriz de Nossa Senhora da Vitória.
Domingos Afonso Mafrense tornou-se proprietário de muitas fazendas de gado no sul do Piauí, dentre elas merece destaque a Fazenda Cabrobó, no vale do Riacho Mocha, possivelmente fundada na década de 1670, que deu origem ao núcleo populacional da Vila da Mocha, hoje atual Oeiras, que fôra a primeira capital do Piauí.
Em 1697, dois padres jesuítas, sendo o principal deles o Padre Miguel Carvalho, construíram uma pequena capela de taipa e palha, no lugar onde se desenvolveria a Vila da Mocha.
Em 1711, Domingos Afonso Mafrense morreu, sem deixar herdeiros, e destinou seus bens para aos padres jesuítas da Companhia de Jesus, sendo que a Fazenda Cabrobó seria a mais importante dentre as fazendas administradas pelos jesuítas em terras legadas por Domingos Afonso Mafrense.
Com o crescimento da população, houve a necessidade da instalação de igrejas no território. Sendo assim, o bispo de Pernambuco autorizou a criação de uma freguesia com o nome de Nossa Senhora das Vitórias em uma região localizada entre o riacho Mocha e o rio Canindé.
A evolução do povoado é grande e, em 1712, a Mocha se torna vila, por ordem do rei D. João V. Em 1718, o Piauí foi desmembrado da capitania do Maranhão e se tornou independente da administração do Maranhão. A ordem do rei de Portugal foi para que se instalá-se a capital na Vila da Mocha.
Em 1749, jesuítas oriundos do Colégio do Maranhão fundaram o Seminário do Rio Parnaíba, consagrado à Santa Úrsula, que teve o padre Francisco Ribeiro, como o primeiro regente. Esse foi o primeiro estabelecimento de ensino secundário, com ensino de gramática e humanidades naquela região.
O decreto só vem a ser cumprido em 1759, quando chega o primeiro governador do estado, João Pereira Caldas. Mas só em 1761, dois anos após se tornar capital, é que a Vila da Mocha foi elevada a categoria de cidade, com o nome de Oeiras, em homenagem ao Primeiro-ministro de Portugal: Sebastião José de Carvalho e Melo, então Conde de Oeiras e que ficou conhecido na história como o Marquês de Pombal.
Oeiras foi capital do Piauí por 92 anos. Nesse período, foi a mais importante cidade da capitania e depois da independência, da Província do Piauí. Foi ai que, em 24 de janeiro de 1823, sob a liderança do oeirense Manuel de Sousa Martins, o Barão da Parnaíba, foi proclamada a adesão do Piauí à Independência do Brasil.
Após deixar de ser capital em 1852 (a capital foi transferida para Teresina), Oeiras entrou em decadência. …