Esplanada: História
No início do século XIX, desbravadores portugueses, em busca de ouro e pedras preciosas se embrenhavam pelos sertões destruindo matas virgens, dizimando e escravizando índios e dando origem à formação de novos povoados. Atraídos pela fertilidade das terras se fixaram na região da então comunidade de Senhora Madre e Itapicuru da Praia, atual cidade do Conde. Ali formaram o Arraial do Timbó com mão de obra escrava e indígena, surgindo assim à aristocracia agrária de Conde.
Segundo os dados do Censo de 1995 (primeiro realizado na Bahia), o município de Esplanada teve origem desse arraial que pertencia ao município de Conde, Timbó, economicamente beneficiado com o advento da estrada de ferro BAHIA-SÃO FRANCISCO, antiga Viação Férrea, hoje Viação Férrea Leste Brasileiro. A referida rodovia se estenderia no trecho Timbó – Alagoinhas.
A partir do ano de 1860, quando se deu início à construção da estrada de ferro, grande números de pessoas se deslocaram e se instalaram no arraial favorecendo o seu desenvolvimento. Em 1886, chega ao Timbó o Coronel Augusto Ribeiro Guimarães, procedente da cidade de Estância – SE. Nessa época a locação da estrada chega a 5 km, sendo construídos galpões e almoxarifado para guardar o material. Um ano após, os operários descobriram um minadouro, a 360 m do canteiro de obras, que deu motivo a um engenheiro edificar ali a estação do Timbó.
Um garimpeiro construiu a primeira casa e a Companhia fez outra que abrigaria o agente e o telegrafista da estação. Várias pessoas se deslocaram do Conde para o local onde foi construída a estação. Uma família ergueu uma pequena capela e muitas casinhas surgiram em torno da mesma. Foi construído um grande depósito junto à estação, destinado à guarda de mercadorias e um vira-mundo para mudar as máquinas do trem de posição para o retorno. Em 1890, outras casas foram construídas e diversas famílias vieram residir no povoado.
Por volta de 1901, Monsenhor Zacarias Luz, a procura de saúde, chega ao local da construção da estação para conhecê-lo. No ano seguinte conseguiu que o arcebispo o nomeasse pároco da cidade vizinha, Aporá, e passou a residir no povoado de Esplanada. Logo fundou uma escola, organizou uma filarmônica com os alunos e deu início a um teatrinho que, anos depois, se tornou o Grêmio da Igreja matriz. Nomeado vigário do povoado, celebrou a primeira comunhão das crianças de Esplanada e do Timbó, instalou o Apostolado da Oração, a Pia das Filhas de Maria e abriu o abrigo de Santo Antonio do Timbó.
No período de 1904 a 1908, os frades Capuchinhos, em missão catequética na região, se instalam e começam a construir o convento que tinha por objetivo ministrar o princípio da doutrina cristã, bem como abrigar os frades idosos e doentes. Conta-se que um deles, mais precisamente no ano de 1889, em passagem pelo arraial e tendo se demorado alguns dias, maravilhado com a localidade, afirmou: “Essa localidade é uma verdadeira esplanada”. Daí a origem do nome do município.
Quando o convento foi inaugurado, em 1908, foi criada definitivamente a paróquia de Esplanada acrescida à de Aporá. No ano de 1909, por causa da estrada de ferro, autoridades, negociantes e cartórios de justiça mudaram-se do Conde para Esplanada e com eles, muitas famílias também fixaram residência no arraial fugindo dos conflitos provenientes da guerra de Canudos. No ano seguinte, 1910, chega a Esplanada o primeiro frade doente, para o hospício (Convento), recém vindo da Itália. Era frei José de Monsano. …