Brejo (Maranhão): História
Em 1684, os indígenas Anapuru, que se dividiam em meri e assu, já viviam no território do atual cidade de Brejo e lutaram contra os colonizadores portugueses que queriam invadir o seu território. Na época, o governo da Província do Maranhão expediu várias ordens oficiais para que se fizesse guerra aos indígenas, considerados "bárbaros tapuias”.
Muitos foram os conflitos e guerras enfrentados contra os colonizadores. Desde o início da colonização, o povo Anapuru resistiu o quanto podia às tentativas dos colonizadores em reduzi-lo e pacificá-lo definitivamente. A resistência dos indígenas Anapuru Muypurá era, sem dúvida, o maior obstáculo. Os frequentes ataques investidos contra os brancos eram sua resposta de defesa ao que eles consideravam, e até hoje consideram, a invasão de suas terras e violência contra o povo.
Depois de muitos conflitos, o líder dos indígenas Anapuru de nome Francisco Xavier, juntamente com Ambrósio de Sousa, capitão dos índios, solicitaram ao governador João de Abreu Castelo Branco as terras situadas “às margens da Ribeira do Parnaíba na parte chamada O Brejo, e Arraial que situou o Mestre de Campo Bernardo de Carvalho e Aguiar cujo alojamento estabeleceram desde o tempo de sua conversão ao grêmio desta Madre Igreja” (28 de junho de 1741. APEP, sesmarias, livro 10, fl. 77). Necessitavam estes indígenas de “três léguas de terras de comprido e uma de largo” para sustento da aldeia.
Em 1795, os indígenas conquistaram por meio de uma Carta de Data e Sesmaria, “três léguas de terras em quadro, fazendo pião no templo daquela povoação, correndo os seus lados norte e sul, leste e oeste, e compreendendo-se no de sua demarcação, tudo que se acha dentro das ditas três léguas” na aldeia Brejo dos Anapurus. Até hoje, a pedra pião que serviu para demarcar o território indígena encontra-se ao lado da Igreja Matriz de Brejo, nela está escrito “INDIOS”.
O documento assegurava que os “índios hajam, logrem e possuam as ditas terras como coisa sua; própria para eles e seus herdeiros, ascendentes e descendentes sem pensão, nem atributo algum, mas dízimo a Deus dos frutos que nelas tiver e lavrar”. No entanto, em 1880, quando os indígenas de Brejo dos Anapurus reivindicaram seu direito a essa terra que estava sendo tomada, foram chamados de “supostos índios”, tendo o direito ao território ao qual pertenciam violado e negado pelos mesmos que o invadiram a primeira vez.
Esse processo foi uma estratégia etnocida de silenciamento/apagamento da identidade indígena e de negação/violação do direito originários, imposta por uma lógica colonizadora. Perseguições, massacres, escravizações e o etnocídio institucionalizado colaboraram para que os Anapuru Muypurá fossem considerados extintos desde o século XIX. No entanto, desde 2019, os indígenas Anapuru Muypurá vem se reoganizando politicamente em prol dos seus direitos originários e combatendo o silenciamento e apagamento histórico.
Em 1820, o território da aldeia Brejo dos Anapurus recebeu o nome Vila do Brejo e foi elevado à categoria de vila, com a denominação de São Bernardo do Brejo, pelo alvará de 29 de janeiro de 1820, desmembrado de Caxias. No mesmo ano, passou a Distrito, criado com a denominação de Brejo, pelo decreto de 18 de abril de 1820, subordinado ao município de Caxias.
A portuguesa Euzébia Maria da Conceição Alves de Sousa (1745-1839), escravocrata vinda de Portugal na corte de D. …