Guanhães: História
O primeiro agrupamento humano a ocupar a área onde hoje está o município de Guanhães foi o dos índios guanaãns, de origem tapuia, que, por viver principalmente às margens de um rio caudaloso, foi a origem da nomeação desse curso d'água com o nome de rio Guanhães.
Em 1752, João de Azevedo Leme, partindo da Vila do Príncipe (hoje cidade do Serro), encontra ouro nos "Descobertos do Graypú", nas imediações da atual cidade de Guanhães. Em 1810, a região de Guanhães era conhecida como "São Miguel e Almas do Aricanga". Aricanga é uma espécie de palmeira nativa da região, muito usada pelos índios para a fabricação de arcos, bodoques e aros de peneiras.
Um dos primeiros povoados construídos na região foi o de São Miguel e Almas de Guanhães, estabelecido em torno de uma capela erguida em 1811 nos terrenos de Faustino Xavier Caldeira, José Coelho da Rocha, Francisco de Souza Ferreira, Antônio de Oliveira Rosa e José de Oliveira Rosa. Posteriormente, foram aos poucos sendo criados e emancipados os povoados que se tornaram as cidades de Ferros, Conceição do Mato Dentro, Paulistas e Peçanha, estando Figueira (atual Governador Valadares) subordinada a este último (atualmente ambos são municípios).
Em 1821, foi criada a primeira capela, instituída canonicamente apenas em 1828. Em 14 de julho de 1832, por meio de Decreto Real, tornou-se a Paróquia de São Miguel dos Correntes (depois São Miguel e Almas dos Correntes), ligada à Vila do Príncipe, tendo seu primeiro padre sido empossado em 1834. A riqueza atraiu muita gente das redondezas e de longe, inclusive ingleses, que exploraram uma mina na Fazenda do Candonga por meio da companhia The Candonga Gold Mining Limited. Candonga é um termo africano e surgiu logo depois da construção de um prostíbulo nas imediações da mineração. Seu significado é "intriga com carinhos fingidos".
Em 23 de março de 1840, passou a pertencer à recém criada Vila de Conceição, voltando ao município de Conceição em 1859, através da lei nº 1.031. Em 25 de outubro de 1875 foi finalmente desmembrada e elevada à categoria de vila pela lei n° 21.132, tornando-se sede do novo município, instalando-se em 9 de dezembro de 1879. Por fim, pela lei provincial nº 2.766 de 13 de setembro de 1881, recebeu o nome atual e foi elevado à cidade. Desde a emancipação, o município passou por diversas modificações territoriais, com sucessivas criações e emancipações de distritos. De Guanhães foram desmembrados, por exemplo, os municípios de Gonzaga (1923), Virginópolis (1923), Senhora do Porto (1938), Açucena (1943), Braúnas (1953) e Dores de Guanhães (1962).
Em novembro de 2015, após o surgimento de suspeitas quanto a fraudes no processo de licitação da festa de aniversário da cidade, foi decretada a prisão de alguns servidores municipais. O Ministério Público prosseguiu com investigações e descobriu uma dezena de fraudes e direcionamentos em licitações em outras áreas, como a do transporte escolar, e instituiu as operações "Cartas Marcadas" e "Caminhos da Prisão".
Parte dos laudos e processos foi encaminhada a Belo Horizonte para investigações a respeito do envolvimento ou não do prefeito municipal nos esquemas. Em maio de 2016, foi rejeitado pela Câmara de Vereadores um pedido de impeachment do prefeito municipal, proposto em razão da suspeita de fraudes em licitações e pedaladas fiscais.