Itapicuru (Bahia): História
O território que compõe o atual município de Itapicuru era habitado originalmente pelos povos indígenas cariris, paiaiás e tupinambás, os quais foram enfraquecidos pelos colonizadores portugueses em razão dos constantes ataques feitos a esses povos originários durante o século XVI pelo administrador colonial português Garcia D'Ávila que ocupou estas terras para incorporá-las à sesmaria que lhe havia sido doada por Tomé de Sousa, a Casa da Torre, possivelmente um filho bastardo dele de acordo com a historiografia contemporânea, a exemplo do historiador Luiz Alberto Moniz Bandeira.
No século XVII, houve a consolidação da colonização do território, com a distribuição de sesmarias. Em 1639, os indígenas remanescentes da região de Itapicuru foram reunidos em um aldeamento organizado pelos franciscanos denominado de Missão de Nossa Senhora da Saúde, também chamada de Missão de Santo Antônio. Em 1648, a 6 km da Missão de Nossa Senhora da Saúde, desbravadores, dentre os quais estavam Manoel Barbosa de Matos, ergueram uma capelinha em louvor a Nossa Senhora de Nazaré, em cujos arredores surgiu um povoado, que foi elevado à categoria de freguesia em 1698, com o nome de Nossa Senhora de Nazaré do Itapicuru de Cima. A partir de 1700, devido a uma petição dirigida ao Rei de Portugal pelo vigário Giraldo Correia de Lima, essa freguesia passou a receber côngrua.
No século XVIII, o rei de Portugal expediu uma Carta Régia dirigida ao vice-rei do Brasil, na qual ele solicitava notícias sobre a freguesia de Itapicuru de Cima e autorizando que, a depender das condições existentes, ela poderia ser elevada vila. Em razão das informações dadas pelo governante colonial e das condições históricas e sociais verificadas, a freguesia de Nossa Senhora de Nazaré do Itapicuru de Cima foi elevada à categoria de vila, com o nome de Itapicuru de Cima, em 28 de abril de 1728, pelo então vice-rei do Brasil, Conde de Sabugosa.
Vários municípios da região do Nordeste Baiano anteriormente pertenceram à vila de Itapicuru de Cima e dela se desmembraram diretamente vilas como Pombal (1758), Soure (1758 ou 1759), Jeremoabo (1831), Tucano (1837) e Monte Santo (1837).
Em 1820, os habitantes da vila de Itapicuru de Cima fizeram uma petição, por meio da qual solicitavam a mudança da sede da vila para a antiga Missão de Nossa Senhora da Saúde, o que só ocorreu por meio de decreto de 25 de outubro de 1831, após a petição ser deferida. No entanto, a sede da freguesia continuou na antiga sede da vila, a qual passou a ficar conhecida como "Vila Velha".
A Resolução provincial n° 1.171, de 8 de março de 1872, transferiu a sede da Freguesia de Nossa Senhora da Conceição do Itapicuru de Cima para a antiga Missão, onde já estava a sede da vila.
De acordo com a historiadora Consuelo Pondé de Sena, Itapicuru é um topônimo de origem indígena na língua geral tupi que significaria "laje caroçuda", por causa das espécies de rochas que haviam sido encontradas pelos indígenas que habitavam a região. …