Carangola: História
Carangola localiza-se na Zona da Mata mineira, em uma área de contato entre Minas Gerais, Rio de Janeiro e Espírito Santo. A ocupação da região ocorreu relativamente tarde em comparação a outras partes de Minas, principalmente porque o território integrava as chamadas “áreas proibidas” do período colonial, zonas controladas pela Coroa Portuguesa para impedir o contrabando de ouro. A partir da primeira metade do século XIX, a procura por novas jazidas auríferas atraiu colonizadores para a região. Como a exploração mineral não apresentou resultados expressivos, a agricultura passou a ocupar papel central no desenvolvimento regional, inicialmente com produções de subsistência e, posteriormente, com a expansão da cafeicultura, atividade que transformou profundamente a economia local.
Antes da ocupação colonial permanente, a área era habitada pelos indígenas Purís-Coroados. A expansão das fazendas ao longo das décadas de 1840 e 1850 provocou intensos processos de desmatamento nas margens do rio Carangola, especialmente na área correspondente ao atual núcleo urbano. Diferentemente de muitas cidades mineiras, Carangola não teve um fundador único. Sua formação resultou da atuação simultânea de diversos proprietários rurais estabelecidos nos arredores da região durante o avanço da ocupação agrícola.
A formação do povoado não esteve associada a um único fundador. O núcleo urbano surgiu gradualmente a partir da instalação de grandes fazendas nos arredores durante a década de 1840. Nesse período ocorreu a derrubada de parte significativa da mata original existente nas margens do rio Carangola. Antes da ocupação colonial, a área era habitada pelos indígenas Purís-Coroados.
O nome “Carangola” deriva do rio homônimo, cuja denominação já aparecia em mapas da Capitania de Minas Gerais elaborados no século XVIII, antes mesmo da presença permanente de colonizadores brancos na região. Há registros de que João Fernandes de Lannes teria passado pela área em 1805, chegando a acampar onde hoje se localiza a Praça Coronel Maximiano, embora não tenha permanecido definitivamente no local. Nesse período inicial, os contatos entre colonizadores e indígenas ocorreram de maneira relativamente pacífica, especialmente em atividades ligadas à extração da poaia, planta medicinal bastante valorizada comercialmente no interior fluminense. Apesar de diversas hipóteses propostas ao longo do tempo, a origem exata do nome permanece sem explicação definitiva.
Entre os primeiros que chegaram na da região destacam-se Antônio Dutra de Carvalho, conhecido como Coronel Dutrão, que tomou posse de sesmarias na região do Caparaó a partir de 1822, além do Guarda-Mor Manoel Esteves de Lima e do Tenente-Coronel José Baptista da Cunha e Castro, responsáveis pela expansão da ocupação em áreas vizinhas. Guarda-Mor Manoel Esteves de Lima ocupou cerca de 800 alqueires na região do Papagaio, estabelecendo sua base no local posteriormente conhecido como Córrego dos Freitas. Em 1833, o Tenente-Coronel José Baptista da Cunha e Castro liderou o a chegada na região de Divino, enquanto José de Lannes Dantas Brandão avançou sobre áreas localizadas entre os rios Carangola e São Mateus, em direção às atuais regiões de Porciúncula e Itaperuna, no estado do Rio de Janeiro.
Os primeiros proprietários identificados das terras onde posteriormente se desenvolveu a área urbana de Carangola foram Francisco Pereira de Souza e Marciano Pereira de Souza. …