Guarantã do Norte: História
Entre as décadas de 1970 e 1980, o governo federal ampliou o programa de colonização na região Norte do país, em áreas consideradas prioritárias para reforma agrária e segurança nacional. Por meio do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA) foram criados diversos projetos de assentamento.
Em 1979, a Superintendência Regional do INCRA no Mato Grosso criou o Projeto de Assentamento Conjunto Peixoto de Azevedo, com 245 mil hectares sobre a Gleba Braço Sul, originalmente localizada no município de Colíder. O projeto foi implantado em parceria com a Cooperativa Tritícola de Erechim Ltda. (Cotrel), com o objetivo de assentar aproximadamente 1 200 agricultores vindos do Rio Grande do Sul. Entre eles estavam famílias que tiveram suas propriedades rurais destruídas pela construção de barragens hidrelétricas e filhos de pequenos proprietários rurais associados à cooperativa, cujas terras já não conseguiam absorver toda a força de trabalho familiar.
Em 1981, foi criado o Projeto de Assentamento Braço Sul, com 211 mil hectares, também sobre a Gleba Braço Sul, para assentar cerca de 1.300 agricultores. Esse grupo incluía duzentos posseiros já existentes na gleba, sul-mato-grossenses que viviam sob regime de trabalho escravo em fazendas no Paraguai (os chamados brasiguaios), além de agricultores oriundos de Mundo Novo (MS) e de outras cidades do Mato Grosso do Sul e do Mato Grosso.
Em 1982, os dois projetos de assentamento foram elevados à categoria de distrito do município de Colíder, recebendo a denominação de Guarantã do Norte. Em 1986, o distrito tornou-se município autônomo, com o nome de Guarantã do Norte. No ano seguinte (1987), a maior parte da extensão territorial do Projeto de Assentamento Conjunto Peixoto de Azevedo – localizada a partir da margem direita do Rio Braço Norte – foi transformada no distrito de Novo Mundo, subordinado ao município de Guarantã do Norte. Em 1996, o distrito de Novo Mundo emancipou-se, dando origem ao município de Novo Mundo.
A partir de 1994, foram criados mais quatro assentamentos nas áreas remanescentes do Projeto de Assentamento Conjunto Peixoto de Azevedo, onde os assentamentos originalmente previstos não haviam sido efetivados: Projeto de Assentamento Bela Vista, Castanhal, Cotrel, Cachoeira da União e Barra Norte – todos localizados no município de Novo Mundo.
Na área remanescente do Projeto de Assentamento Braço Sul, também não implementada conforme o plano original, foram criados três projetos: Projeto de Assentamento Horizonte II, Iririzinho e São Cristóvão, todos no município de Guarantã do Norte.
Esses projetos criados a partir de 1994 tiveram como objetivo básico regularizar a situação fundiária de centenas de agricultores que já ocupavam aquelas terras, mas cujas posses não eram reconhecidas pelo INCRA.