Candelária (Rio Grande do Sul): História
=== Redução Jesus Maria (1633-1636) ===
Remonta a novembro de 1633 a fundação da Redução Jesus Maria pelo jesuíta espanhol Pedro Mola, no local que hoje é conhecido como Trincheira, na localidade de Linha Curitiba, a cerca de 3,5 km da cidade. Esta povoação de índios é uma das 18 fundadas na primeira fase das reduções, tendo elas surgido em virtude de um acordo entre o governador da Província do Rio da Prata e a Companhia de Jesus em 4 de julho de 1626.
A mais próspera das 18 reduções era a de Jesus Maria, na qual viviam cerca de 10 mil índios da nação Tupi-Guarani em uma espécie de cidade que apresentava condições de vida favoráveis em termos de subsistência. Dedicavam-se a agricultura, produzindo milho, trigo e mandioca, além de possuírem significativos rebanhos de bovinos, ovinos e suínos.
Justamente pela pujança e grandeza da redução candelariense, bandeirantes paulistas foram atraídos na intenção de aprisionar índios e escravizá-los. Porém a redução contava com um ferrenho sistema de defesa formado por trincheiras, paliçadas e armamentos, além de índios adestrados militarmente por especialistas em operações de guerra. Uma boa explicação para a resistência de seis horas (das 8h as 14h) frente a bandeira poderosa comandada por Antônio Raposo Tavares. Na batalha de 3 de dezembro de 1636 caiu, com ares de heroísmo, a resistência da Redução de Jesus Maria, pondo fim ao primeiro capítulo da história candelariense.
A colonização do território que viria a ser Candelária iniciou-se em 1862, quando os pioneiros João Kochenborger e Jacob Welsch, ambos descendentes de imigrantes alemães, migraram da região de Rio Pardo em busca de novas terras. Kochenborger estabeleceu-se na localidade hoje conhecida como Linha Curitiba. Anos mais tarde, ele foi responsável pela construção do Aqueduto de Candelária, uma notável obra de engenharia destinada a canalizar a água do arroio Molha Grande para mover um engenho de serra e um moinho de milho e trigo em sua propriedade. Jacob Welsch, após um período residindo na atual Rua Dr. Middendorf, fixou-se permanentemente na área que hoje corresponde à Linha Passa Sete.
O povoado, inicialmente conhecido como "Germânia", experimentou um crescimento significativo com base na agricultura e na pecuária, o que gradualmente impulsionou o desenvolvimento do comércio e de pequenas manufaturas locais. Em reconhecimento à sua expansão, o distrito foi elevado à categoria de freguesia em 9 de maio de 1876, pela Lei Provincial nº 1029, passando a se denominar Freguesia de Nossa Senhora de Candelária.
No início do século XX, o núcleo urbano contava com aproximadamente 150 moradores, concentrados majoritariamente ao longo da Rua do Comércio, hoje Avenida Pereira Rego. O desejo de autonomia política começou a se consolidar a partir de 1924, sob a liderança do Coronel José Antônio Pereira Rego, chefe político republicano de Rio Pardo. Ele organizou reuniões no Clube Rio Branco para articular o movimento pela emancipação de Candelária.
O movimento obteve o apoio crucial do então Presidente do Estado, o também republicano Dr. Borges de Medeiros. Como resultado, a emancipação política de Candelária foi decretada em 7 de julho de 1925, através do Decreto Estadual nº 3.597. O Sr. Albino Lenz foi nomeado para o cargo de primeiro Intendente (cargo correspondente ao de prefeito na época), e a instalação oficial do novo município ocorreu em 28 de dezembro do mesmo ano.