Bom Jesus (Piauí): História
As primeiras habitações de Buritizinho, atual cidade de Bom Jesus, surgiram no século XVIII, tornando-a um dos mais antigos centros de povoamento do estado. No início do século XIX, em 1801, Nicolau Barreiros, devoto do Senhor Bom Jesus da Boa Sentença, construiu uma capela de palha às margens do riacho Grotão, em uma área elevada e segura contra inundações do rio Gurguéia, dando origem ao povoado chamado Buritizinho devido à presença de palmeiras buriti na região. A realização de novenas atraiu muitos romeiros, estimulando o comércio e a fixação de famílias ao redor da capela, o que levou à organização do local e à criação de um comando militar em 1804 para manter a ordem. Assim nasceu a cidade de Bom Jesus, nome dado em homenagem ao santo de devoção, que se tornou um importante polo agrícola do sudoeste do Piauí.
Diante do progresso da localidade, o Conselho Geral da Província, em 1833, solicitou do Governo Imperial de Lisboa a criação da Paróquia de Bom Jesus da Boa Sentença, efetivada em 1838, com a denominação de Paróquia de Bom Jesus do Gurguéia, sendo cinco anos depois fixados os limites entre a nova freguesia e a de Nossa Senhora do Livramento, em Parnaguá, da qual fora desmembrada. Em 1853, Bom Jesus já contava com 4.186 habitantes e, em dezembro de 1855, foi o povoado elevado à categoria de Vila, obedecendo aos mesmos limites da paróquia, instalada em 1858.
Até o final da década de 1970, a economia de Bom Jesus era baseada principalmente na agricultura de subsistência, na pequena produção rural e na pecuária, predominando minifúndios e propriedades médias, com produção concentrada no vale do rio Gurguéia e em suas áreas férteis. A partir da década de 1990, o potencial agrícola do cerrado passou a ser explorado, atraindo produtores de grãos, especialmente de soja, vindos do sul do Brasil e de países vizinhos, como Uruguai e Paraguai. Esse processo impulsionou a expansão agrícola e o crescimento econômico do município, que se consolidou como um importante centro do agronegócio no cerrado piauiense, embora apresente uma população parcialmente flutuante devido à dinâmica das safras agrícolas.