Piraí: História
A história de Piraí remonta ao período colonial, quando a região passou a ser ocupada por colonos atraídos pelo seu potencial agrícola. Originalmente, o território era habitado por indígenas da etnia Puri e Coroado, que utilizavam uma antiga trilha para se deslocarem entre as aldeias da Serra do Mar e as áreas litorâneas. Com o advento da mineração, a trilha indígena foi transformada em um dos principais caminhos que ligavam as minas de ouro ao porto do Rio de Janeiro, facilitando o escoamento do metal precioso para a metrópole portuguesa. As primeiras sesmarias foram concedidas por volta de 1765.
A fundação de Piraí está diretamente ligada à construção de uma capela dedicada a Sant'Ana, às margens do Rio Piraí, por volta de 1770. A pequena capela, erguida por José Luiz Urbano, um dos primeiros proprietários de terras na região, tornou-se o núcleo em torno do qual se formou o povoado de Sant'Ana do Piraí. Em 1776, a capela foi elevada à condição de curato, recebendo um pároco residente e oferecendo serviços religiosos regulares, o que impulsionou o desenvolvimento do arraial e atraiu novos moradores para a área.
Nas décadas seguintes, o povoado enfrentou diversas dificuldades, principalmente pela falta de recursos e apoio para a manutenção da capela e do crescente número de habitantes. No entanto, a perseverança dos moradores e do clero local permitiu que, em 1798, a capela adquirisse um pequeno patrimônio de terras, tornando-se independente das provisões anuais do governo colonial. O arraial, à época, contava com 54 fogos, 378 habitantes, entre os quais 128 eram escravos, dois engenhos de açúcar e três usinas de aguardente, refletindo a economia agrária em formação.
A história do desmembramento e fundação do município de Piraí está ligada à sua evolução como freguesia e, posteriormente, como vila. Em 11 de outubro de 1811, o oitavo bispo do Rio de Janeiro, Dom José Caetano da Silva Coutinho, realizou sua primeira visita pastoral à região. Atendendo aos pedidos dos moradores, que se comprometeram a construir uma nova igreja matriz, o bispo concedeu ao povoado de Sant'Ana do Piraí o status de freguesia curada, nomeando José Theodosio de Souza como seu primeiro vigário. Embora o compromisso de erguer a igreja matriz não tenha sido inicialmente cumprido, a freguesia foi elevada à categoria de freguesia perpétua em 17 de outubro de 1817. Uma nova visita do bispo em 1825 reiterou a necessidade de construir a igreja matriz, e uma comissão foi nomeada para arrecadar fundos e iniciar a obra.
Em 1833, a Freguesia de Sant'Ana do Piraí contava com 4.111 moradores, que, em busca de maior autonomia, enviaram ao regente Feijó um abaixo-assinado solicitando a elevação do povoado à categoria de vila. Essa expressão designava, à época, a sede de um termo, unidade político-administrativa equivalente a um município. Após quatro anos de negociações, a elevação a vila foi finalmente conquistada pela Lei Provincial nº 96, de 6 de dezembro de 1837, com território desmembrado de São João do Príncipe (mais tarde São João Marcos, atual Rio Claro e Barra Mansa). A instalação oficial da nova Vila de Sant'Ana do Piraí ocorreu em 11 de novembro de 1838, na residência de Raymundo Antônio Soares, com a presença do presidente da Província, Paulino José Soares de Souza, o Visconde do Uruguai. …