Elói Mendes: História
Os registros mais antigos da presença humana no atual território mineiro datam de há cerca de 11.500 anos. Trata-se de “Luzia”, restos humanos identificados no sítio arqueológico Lapa Vermelha IV, localizado no município de Lagoa Santa. De acordo com os estudos mais recentes, este e outros vestígios esqueletais encontrados na região indicam tanto um povoamento muito antigo do continente americano quanto uma diversidade genética maior do que se imaginava até então.
Até o presente momento, o município de Elói Mendes conta com apenas um sítio arqueológico conhecido. Trata-se do Sítio dos Olhos, um antigo assentamento indígena associado à Tradição Aratu-Sapucaí. Identificado em 1970, quando os proprietários da Fazenda dos Óleos preparavam a terra de um morro de pequenas dimensões para plantio de café, o sítio contava com diversas urnas funerárias, instrumentos líticos e outros fragmentos de utensílios cerâmicos. Na época, a descoberta do sítio chegou a ser noticiado no Jornal do Brasil, sendo especulado (embora nunca confirmado) que os vestígios pertenceriam aos Cataguases. Também conhecidos como Mandiboias, habitavam os vales dos rios Sapucaí e Dourado durante os primeiros séculos de colonização portuguesa, fato que levou boa parte do atual território mineiro a ser outrora conhecido como “Sertão dos Cataguases”.
Embora tenham restado poucas informações a respeito dos grupos indígenas que habitavam a região sul de Minas Gerais por volta do século XVI, quando teve início a colonização europeia, algumas fontes indicam a presença de Tamoios, Puris (também conhecidos como Coroados), Caiapós, Bororos e Lopos, além dos já mencionados Cataguases. Embora os Tamoios (termo originário "ta'mõi", que, em língua tupi, significa "avós") habitassem áreas próximas da atual divisa com o estado de São Paulo, junto à Serra da Mantiqueira, algumas fontes indicam que só teriam lá se estabelecido após a chegada dos portugueses no litoral. Tal ação teria caráter de fuga, tendo em vista a sistemática escravização imposta pelos lusitanos às populações ameríndias litorâneas. Já os Puris, também chamados de Coroados, se estendiam por toda a região entre a margem direita do rio Doce e o vale setentrional do rio Paraíba do Sul. Caiapós e Bororos, por sua vez, habitavam áreas próximas do rio das Velhas e rio Grande, sendo os primeiros frequentemente retratados pelos europeus como hostis, o que teria atrasado sobremaneira a consequente expansão portuguesa sobre seu território. Por fim, também os Lopos habitavam as matas da Serra da Mantiqueira, a qual chegou a ser conhecida como Serra dos Lopos até o século XVIII, dada à quantidade de aldeias que lá existiam.
Embora falantes de idiomas diferentes, Puris, Caiapós e Bororos são geralmente classificados como pertencentes ao tronco Macro-Jê, sendo os Tamoios e Lopos associados ao tronco linguístico Tupi-Guarani. Semi-sedentários, todos estes grupos alteravam a localização de seus assentamentos conforme a disponibilidade de recursos, o que faz com que diversas rotas fluviais e terrestres tenham sido percorridas e habitadas ao longo do sul do atual estado de Minas Gerais. As residências eram relativamente pequenas, sendo variados os espaços de convívio e habitação conforme as práticas culturais de cada um dos grupos. …