Ibotirama: História
Apesar de relatos e registros de presença portuguesa ao longo dos séculos XVI e XVII no território que, hoje, compreende a cidade, o processo de colonização iniciou com exploração das terras capitaneado pelo latifundiário Antônio Guedes de Brito que recebeu, por sesmarias, terras tornando-se o segundo maior latifúndio do Brasil Colônia. Brito, conhecido pelo desbravamento, foi também reconhecido pela extinção de grande parte da população indígena por meio de armas. Os indígenas restantes foram escravizados.
Mais tarde, após sua morte, sua neta D. Joana da Silva Caldeira Pimentel Guedes de Brito tornou-se proprietária de várias fazendas herdadas pela família. Entre as propriedades de Joana, existia a Fazenda Bom Jardim, de onde surgiu o arraial de Bom Jardim. Era um dos pontos de passagem de boiadeiros e tropeiros que faziam a travessia do Rio São Francisco. Ali, encontravam um lugar para descansar, pois a fazenda localizava-se à margem esquerda do rio.
Seu comércio e transporte fluvial se dava com várias regiões próximas. Além disso, a comunicação e interação entre parte da população de viajantes de Bom Jardim, Santo Antônio do Urubu de Cima e Santuário do Bom Jesus da Lapa, era fundamental no desenvolvimento e povoamento da região, através de rotas terrestres. No ano de 1732, em documento de mapemento feito por Joaquim Quaresma Delgado, era mencionada a existência da fazenda.
Até o século XX, o crescimento de Bom Jardim foi lento, e seu território fez parte de Paratinga. Na divisão administrativa que data de 1911, era considerado distrito do município. Em 1938, o nome de Bom Jardim foi mudado para Jardinópolis, topônimo que permaneceu até 1943, quando passou a se chamar Ibotirama.
Conforme dados do Censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística feito em 1950, Ibotirama possuía destaque no território paratinguense, sendo que seu aglomerado urbano era equivalente à mais de 2 mil pessoas, valor que equivalia à metade da população urbana de Paratinga. Com isso, em 14 de agosto de 1958, a Lei nº 1029 determinou a criação do município de Ibotirama, com a inclusão do distrito de Boa Vista do Lagamar. Deraldino Lino de Souza, primeiro prefeito eleito da cidade em 1959, não chegou a exercer o cargo por ter morrido dias após a votação. Com isso, o primeiro chefe municipal a exercer o cargo foi Raulindo Araujo de Souza, o então presidente da Câmara dos Vereadores.
Na história recente do município há o registro de reassentamento de comunidades indígenas, tuxás, da região Rodelas - Ba. Essas comunidades foram deslocadas em virtude do alagamento da região na ocasião da construção da barragem de Itaparica, atualmente chamada de UHE Luiz Gonzaga. O povo Tuxá foi dividido, deslocado e reassentado em dois municípios brasileiros Ibotirama/BA e Inajá/PE.