Laranjal Paulista: História
Muito antes da chegada dos colonizadores, há cerca de 1 500 anos, terraços fluviais do médio Tietê já abrigavam grupos falantes de Tupi-Guarani (tradição Tupiguarani) e também povos de língua Jê que cultivavam mandioca e milho, caçavam e produziam fina cerâmica vermelha, de que são exemplo as vasilhas “cambuchícaguába” preservadas hoje no Museu Histórico Sorocabano. A presença dessas populações permanece na toponímia regional, em nomes como Tietê (“rio verdadeiro”), Sorocaba (“terra fendida”), Ipanema (“água ruim, rio sem peixes”) e Sarapuí (“mosquito que pica”).
A ocupação atual do Município se divide em duas fases: rural e urbana. A primeira fase, no início do Século XVII, foi motivada pelos grupos tropeiros que rumavam à Sorocaba. Para os pousos eles se aconchegavam à beira do que chamavam de ribeirão dos laranjais e, por onde passavam, divulgavam que “a partir das suas acanhadas margens vislumbrava-se a existência de alongadas e férteis terras”, atraindo os primeiros pequenos agricultores.
Iniciando a fase urbana, em 1884, seguindo o traçado das obras da Estrada de Ferro Sorocabana e a ela se antecipando, chegava Delfino de Mello à localidade denominada de Laranjal. Adquiriu considerável gleba de terra e, para explorar comercialmente, construiu uma casa de pensão para abrigar os trabalhadores da ferrovia. Em curto espaço de tempo o local despertou o interesse de famílias da região para outras atividades comerciais dando início ao núcleo urbano.
Ainda em 1884, Delfino de Mello doou terreno para a construção de uma capela na vila que, em 1886, tornar-se-ia o distrito policial de Laranjal e com a primeira escola pública outras benfeitorias se juntariam: agência postal, cartório de registro civil, a paróquia, telefone público, iluminação elétrica.
A Abolição de 1888 integrou ainda ex-escravizados à vida comunitária — preservando congadas, modas de viola e outras tradições. Em 30 de novembro de 1896, pela Lei Estadual nº 460, cria-se o distrito de Laranjal, pertencendo ao município e comarca de Tietê, no mesmo território do então distrito policial. O povoado é elevado à categoria de vila e sede do distrito por força da Lei Estadual n.º 1.038, de 19 de dezembro de 1906. Logo em seguida, na década de 1910, chegavam imigrantes italianos e sírio-libaneses que abriram casas comerciais e pequenas indústrias, ampliando a diversidade étnica do futuro município criado pela Lei Estadual nº 1.555, publicada em 10 de outubro de 1917, que criava o Município de Laranjal que, pelo Decreto Federal nº 14.334/1944, passou a chamar-se Laranjal Paulista.