Santa Helena (Paraná): História
=== Período Pré-Colonial ===
A região sudoeste do estado do Paraná começou a ser ocupada por grupos de caçadores-coletores a alguns milênios atrás. Segundo datação por carbono 14 obtida no sítio Ouro Verde I, localizado no município de Boa Esperança do Iguaçu, os mais antigos indícios da presença ameríndia na região correspondem a 9040 +- 400 anos Antes do Presente. Esses primeiros habitantes da área compreendida pelos rios Paraná e Iguaçu provavelmente viviam em um clima mais seco e frio do que o atual, quando uma vegetação típica de campos se sobrepunha às florestas subtropicais de períodos mais recentes. Produziam diversos tipos de ferramentas de pedra, tais como raspadores, percutores e pontas de projétil geralmente associados à Tradição Umbu. Quando o clima se tornou mais quente e os ambientes de floresta tornaram-se mais comuns em todo o atual oeste do Paraná, novas ferramentas foram produzidas pelos grupos que habitavam essa região, sendo estas tradicionalmente atribuídas à Tradição Humaitá. Apesar desses primeiros habitantes da região certamente produzirem artefatos em ossos de animais, couro, fibras vegetais e madeira, a rápida decomposição desses materiais faz com que raramente sejam encontrados em sítios arqueológicos.
Em Santa Helena, vestígios dessas primeiras ocupações humanas no vale do rio Paraná foram encontrados em pelo menos 9 sítios arqueológicos. São eles: Brejo Seco, Córrego Caminho Verde 1, Córrego Caminho Verde 2, Córrego Caminho Verde 3, Córrego Lajeado 2, São Francisco Falso 3, São Francisco Falso 4, São Francisco Falso 5 e Corredeira.
Entre 4.000 e 2.500 anos atrás, teve início a migração de grupos indígenas ceramistas para o atual sudoeste do Paraná. Vindos do Planalto Central, esses ancestrais dos povos Kaingang e Xokleng gradualmente assimilaram (ou expulsaram) as populações que habitavam a região, introduzindo a cerâmica e o cultivo do milho e da mandioca. As aldeias eram normalmente compostas por casas subterrâneas, estruturas provavelmente construídas para enfrentar o clima frio dos vales e campos do Brasil Meridional, além de montículos feitos em terra para sepultamento dos mortos. Também é atribuído à essas populações o manejo de diversas espécies de palmeiras e pinheiros, incluindo a araucária, sendo o pinhão um alimento importante na dieta dessas populações. Em Santa Helena, remanescentes materiais relacionados a esses grupos foram identificados nos sítios Córrego Lageado 1, Rio São Vicente Chico e Santa Helena.
Pelo vale do Paraná e seus afluentes também se expandiram os ancestrais dos atuais Guarani e demais povos falantes do tronco linguístico tupi-guarani, deixando diversos vestígios de sua presença no que posteriormente veio a ser o município de Santa Helena. Ocorrida a cerca de 2.000 anos atrás, a migração desses grupos sobre territórios até então ocupados por povos Jê certamente ocasionou diversos conflitos. Em Santa Helena, pelo menos 18 sítios arqueológicos contam com artefatos associados à Tradição Tupiguarani, o que sugere que a região foi intensamente habitada por Guaranis e outros grupos indígenas aparentados.Por sua vez, as datações radiocarbônicas obtidas nos sítios Lagoa Seca (1625 +- 60 AP), São Francisco Falso 1 (700 +- 55 AP) e Cafezal 2 (590 +- 55 AP), todos localizados em Santa Helena, confirmam a presença dessas populações nessa parte do vale do rio Paraná até praticamente a chegada dos europeus na América do Sul. …