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Ubiratã: História

Ubiratã: História

A região oeste do atual estado do Paraná vem sendo ocupada por grupos humanos há pelo menos 10.000 anos. Produtores de diversos tipos de instrumentos líticos, como machados, buris, raspadores, percutores e pontas de flecha, estes primeiros grupos são geralmente associados às Tradições tecnológicas Umbu e Bituruna. Posteriormente, com o avanço das florestas em um período mais quente e úmido, a cerca de 7.000 anos atrás, são encontradas ferramentas de pedra tipicamente associadas à Tradição Tecnológica Humaitá. Esses conjuntos de instrumentos líticos – embora com variações – já foram identificados em diversos sítios arqueológicos da região Sul e Sudeste, sendo portanto bastante difundidos entre diversos grupos ameríndios. Os sítios arqueológicos Piramboia e SINOP 2, localizados em Ubiratã e conhecidos entre os pesquisadores como oficinas líticas, são exemplos de áreas onde se obtinha matéria-prima e se produzia as citadas ferramentas de pedra. Embora ainda não existam datações que permitam associar os grupos relacionados às tradições Umbu, Bituruna e Humaitá aos vestígios identificados nesses dois sítios, estes são exemplos de como a região apresentava condições favoráveis para o assentamento – provisório ou relativamente mais permanente – dos povos ameríndios.
Há cerca de quatro mil anos atrás, os primeiros grupos agricultores e produtores de cerâmica teriam alcançado os grandes vales meridionais do atual território brasileiro, uma presença que é possível de ser observada em diversos sítios arqueológicos localizados em Ubiratã. Associados à Tradição Itararé-Taquara, esses grupos produziam cerâmicas de pequenas dimensões, com pouca ou nenhuma decoração. Também são conhecidos pela construção de casas subterrâneas, uma técnica difundida entre esses grupos para enfrentar as estações mais frias. Remanescentes materiais dessa ocupação, muitas vezes tratadas como vestígios dos antepassados dos povos Kaingang e Xokleng atuais, foram identificados nos sítios Aterro Tiburtius, Carajá 1, Carajá 2, Carajá 3, Carajá 4, Estrada da Cantareira, Aterro do Pasto, Campo de Futebol, SINOP 1 e Ermida Nossa Senhora de Copacabana. Este último sítio arqueológico também contém vestígios cerâmicos tupiguarani, neobrasileiro e histórico, o que provavelmente indica uma reocupação constante do local. A presença de grupos ceramistas associados à Tradição Tupiguarani também foi identificada em outros sítios arqueológicos em Ubiratã, como Pé de Galinha e Milonguita.
O vale do rio Piquiri era, portanto, um dos principais “fios condutores” desses processos de ocupação do território, sendo inclusive identificado por alguns pesquisadores como parte do famoso Caminho do Peabiru. Não por acaso, o explorador alemão Ulrich Schmmidel, ao atravessar o Paraná em direção a vila de São Vicente, entre 1552 e 1553, teria passado justamente pelo vale do rio Piquiri. Da mesma forma, os relatos deixados por Alvar Nuñez Cabeza de Vaca apontam para a passagem de sua expedição pelo vale desse rio cerca de dez anos antes, em 1541. De acordo com os relatos de Guzmán e Montoya, ambos datados da primeira metade do século XVII, a região era densamente habitada por grupos Guarani. Embora as mais de quarenta mil famílias citadas por ambos seja um número certamente exagerado, Ambrosetti confirmou a presença guarani no vale do Rio Piquiri ainda em 1895. …

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Quelle: Text: Wikipedia – „Ubiratã“, Autorinnen und Autoren (Versionsgeschichte), CC BY-SA 4.0 · Foto: Rodrigo V. Zabini, CC BY 3.0 – Wikimedia Commons