Uauá: História
=== Colonização e Império ===
Habitada originalmente por indígenas caimbés, os quais foram expulsos, escravizados, aculturados pela catequese ou assassinados durante o processo de expansão do latifúndio da Casa da Torre, da família d'Ávila, as terras que compõem hoje Uauá vieram a integrar esse latifúndio após serem colonizadas por vaqueiros vinculados a ele, nos séculos XVII e XVIII.
No século XVIII, o português Guilherme Costa deixou Jeremoabo, então um povoado, à procura de um lugar "melhor" para o seu gado pastar e, seguindo o curso do Rio Vaza-Barris, se fixou em local não muito distante das suas nascentes, onde ocupou uma área e ali estabeleceu a Fazenda Uauá.
Em 1784, nas margens do Riacho Bendegó, em território uauaense, próximo à divisa com Monte Santo e Canudos, foi descoberto, pelo vaqueiro Joaquim da Mota Botelho, o Meteorito do Bendegó, na época o maior do mundo, com 5.350 kg. Em 1888, esse meteorito foi transferido para o Museu Nacional, no Rio de Janeiro, ali tendo pedaços retirados e transferidos para museus ao redor do mundo.
Nas primeiras décadas do século XIX, a região onde hoje está a cidade de Uauá figurava entre os bens patrimoniais da Casa da Torre, conforme inventário levantado por herdeiros de Garcia d'Ávila em 1815, como um sítio arrendado a André Gonçalves Batista, parente de Cícero Dantas Martins, o Barão de Jeremoabo, e do ex-governador baiano José Gonçalves da Silva.
Durante o século XIX, a então Fazenda Uauá passou a ser uma propriedade de Pedro Rabelo de Alcântara, que vendeu-a para Francisco Ribeiro, o qual, junto com sua esposa, fundou a povoação de Uauá (hoje a cidade de mesmo nome), ponto de parada para tropeiros e boiadeiros que transitavam entre Monte Santo e Curaçá.
Em novembro de 1896, o florescente povoado de Uauá foi utilizado como base de acampamento para uma companhia do 9° Batalhão de Infantaria do Exército Brasileiro, comandado pelo tenente Manoel Pires Ferreira, que rumava para lutar contra Canudos. No entanto, fiéis de Antônio Conselheiro, fundador de Canudos, atacaram as tropas do Exército e mataram quase todas elas. Como resultado desses conflitos bélicos, Uauá foi palco de muita violência praticada pelo Exército contra a população local.
A Lei Estadual n° 590, de 8 de julho de 1905, elevou o povoado de Uauá à categoria de distrito, subordinado ao município de Monte Santo.
A partir da década de 1910, o mandonismo local (coronelismo) no distrito de Uauá passou a ser representado pela liderança de um conjunto de famílias de grandes proprietários rurais ao longo do século XX: os Borges, os Sá, os Cordeiro de Matos, os Damasceno, os Rodrigues e os Ribeiro, descendentes diretos do fundador do povoado que deu origem à futura sede municipal e que teria em Jerônimo Rodrigues Ribeiro, político que exerceu vários mandatos durante o século XX e que foi um dos representantes dessa oligarquia local.
As décadas de 1920 e 1930 foram caracterizadas em Uauá por mudanças institucionais que afetaram a dinâmica do distrito com município com avanços e retrocessos em termos sociais e políticos e que repercutam a instabilidade política do período em que houve a transição da República Velha para a Era Vargas. Em 24 de maio de 1924, foi criada a paróquia de Uauá, tendo como primeiro vigário o padre Arlindo Rocha, uma modificação institucional com reflexos sociais relevantes, considerando a forte presença do catolicismo na sociedade da época. …