Cedro (Ceará): História
As terras da região compreendida as margens dos rios Jaguaribe e Salgado, e entre as serras de Santa Maria e do Boqueirão eram habitados por diversas etnias, entre elas os índios Icó, Icozinho e Quixelô.
Foi por meio da Carta Régia de 1701, decreto da Coroa Portuguesa, a qual proibia a criação de gado numa faixa de dez léguas da costa, a fim de que se respeitassem as terras litorâneas para o plantio da cana-de-açúcar, que impulsionou as bases legais para interiorização da pecuária que promoveu a ocupação e fixação no território cearense no século XVIII.
Devido à expansão da pecuária no sertão e com as "estradas das boiadas" desenvolvendo o ciclo do couro. Foram surgindo as fazendas de gado, já em meados 1877, uma das maiores da região era a Fazenda Cedro pertencente a família Lemos, iniciando assim a história de Cedro.
A cidade teve o marco inicial em 1908, com a compra da fazenda pelo Cel. João Cândido da Costa, localizada nos territórios de Várzea Alegre e de Lavras da Mangabeira, onde ele passou à residir com familiares.
Há registros históricos de 1910 que o patriarca do Juazeiro do Norte, Padre Cícero Romão Batista, acompanhado da sua comitiva, passaram na Fazenda Cedro, na qual tiveram uma carinhosa acolhida pelo proprietário e moradores, onde passou parte do dia, já na hora de sua partida recostado no alpendre da casa grande e avistado o carnaubal, Padre Cícero disse que ali haveria de nascer uma cidade. A notícia da profecia se espalhou rapidamente e ficou a mercê de Deus.
No início do século XX, a construção da Estrada de Ferro de Baturité, com a prossecução dos trabalhos da ferrovia que liga Fortaleza à cidade do Crato, acelerados os trabalhos em virtude da maior assistência governamental prestada aos flagelados da seca de 1915, que assolou o Ceará. Naquele momento, intensificou-se a construção do trecho entre as cidades de Iguatu e Lavras da Mangabeira. Assim, chegando a Fazenda Cedro uma turma de operários para extensão da via férrea, na qual a propriedade era favorecida com água em abundância para abastecer o pessoal e as locomotivas movidas a vapor.
Em 15 de novembro de 1916, foi inaugurada a estação ferroviária, que contou com a visita do ilustre governador João Tomé de Saboia e Silva, a chegada do primeiro trem foi marco desenvolvimento para Cedro. Pouco a pouco ergueram-se casas, fundaram-se mercearias e capelas. Nessa época o nome do Cel. João Cândido projetou-se rapidamente no anuário da região, atingindo ápice do prestigio social por ele ser a única autoridade para resolver todos os casos.
O governador João Tomé bastante comovido com o dinamismo do coronel, elevou o povoamento de Cedro à categoria de vila, no dia 9 de julho de 1920, pertencente ao município de Várzea Alegre. De início, a vila recebeu o nome de Cedrinho de Açúcar pelos habitantes da época, como um atestado de afeição e atração ao lugar.
A partir de então, a vila começa a ter novo impulso e junto com o desenvolvimento surgiu um evidente desejo de independência, conclamando o povoado a lutar cada dia com maior impulsão para que a vila passaste a cidade. Acontecendo meses depois no dia 21 de outubro de 1920 a emancipação de Cedro.