Cunha (São Paulo): História
Por volta do ano 1000, a região foi invadida por indígenas tupis procedentes da Amazônia, que expulsaram os antigos habitantes tapuias para o interior do continente. No século XVI, quando os primeiros europeus chegaram à região, ela era ocupada pela tribo tupi dos tamoios.
A primeira expedição a penetrar no território de Cunha foi a de Martim Correia de Sá, em 1597. Partindo do Rio de Janeiro com cerca de 700 portugueses e 2 mil indígenas, desembarcou em Paraty e subiu a Serra do Mar por uma antiga trilha indígena para combater os tamoios, inimigos dos portugueses e aliados dos franceses.
No século XVII, paulistas e paratienses utilizaram a antiga trilha indígena percorrida por Martim Correia de Sá, que era uma importante via de penetração no Vale do Paraíba.
No final dos seiscentos, com a descoberta de ouro em Minas Gerais, a região de Cunha, conhecida na época como Boca do Sertão, começou a ser mais desbravada por portugueses e paulistas que se dirigiam às jazidas de ouro, muitos dos quais se fixaram na região, por causa do clima.
Em 1724, o português capitão Luís da Silva Porto construiu, em sua propriedade, no bairro rural da Boa Vista, antigo pouso para tropeiros, uma capela em louvor a Jesus, Maria e José. Posteriormente, a família Falcão erigiu um templo no local do templo do capitão Gouveia, motivo pelo qual a região ficou conhecida como Facão, corruptela do sobrenome. Em 1731, José Gomes de Gouveia edificou uma capela em louvor a Nossa Senhora da Conceição, assim surgindo a povoação de Facão, na vila de Santo Antônio de Guaratinguetá.
A capela de Nossa Senhora da Conceição no Facão foi elevada à categoria de freguesia, com o nome de Nossa Senhora da Conceição do Facão, entre 1748 e 1749.
Com o fim do ciclo do ouro, muitos desbravadores permaneceram na região do Facão, atraídos pelo clima e terras propícias para a agricultura.
Em 15 de setembro de 1785, a Freguesia de Nossa Senhora da Conceição do Facão foi desmembrada de Guaratinguetá e elevada à categoria de vila, com o nome de Nossa Senhora da Conceição de Cunha, em homenagem ao então governador da Capitania de São Paulo, Francisco da Cunha e Meneses. Instalaram-se, na nova vila, a Câmara Municipal, cadeia e pelourinho, em 28 de outubro do mesmo ano.
No século XIX, durante o ciclo do café, Cunha voltou a ter destaque econômico e o antigo caminho do ouro foi calçado e ampliado para a exportação do café, principal produto produzido pelo Vale do Paraíba na época, que era então escoado pelos portos em Paraty e Angra dos Reis. Foi nesse período que a lei provincial nº 30, de 20 de abril de 1858, elevou Cunha à categoria de cidade.
Após episódios ocorridos no município durante a Revolução Constitucionalista de 1932, na década de 1940 Cunha foi elevada à categoria de Estância Climática.
A emancipação político-administrativa é comemorada em 20 de abril, sendo outros feriados 8 de dezembro, dia da padroeira do município, e 19 de março, dia de São José. Outros eventos interessantes são a Queima do Judas e a Cavalaria de São Benedito, realizada na segunda-feira após a Páscoa.