Pinhalzinho (Santa Catarina): História
=== Povos originários e disputas territoriais ===
A presença humana no território onde hoje está o município de Pinhalzinho remonta a pelo menos três mil anos. Os indígenas Kaingang, descendentes desses primeiros grupos agricultores-ceramistas, dominaram a região até o início do século XX. A partir do século XVI, os Guaranis chegaram pela via do rio Uruguai, pressionados pela colonização portuguesa no litoral.
Naquele tempo, uma vasta floresta de araucárias dominava a paisagem, em uma área praticamente sem presença governamental e ainda em disputa com a Espanha. No século XIX, o litígio foi com a Argentina. Foi somente em 1895, por meio de arbitragem conduzida pelo presidente dos Estados Unidos, Stephen Grover Cleveland, que o Brasil garantiu o domínio sobre a região. Além dos povos originários, também se estabeleceram caboclos e descendentes de quilombolas, que buscavam refúgio nas matas do interior catarinense.
A partir de então, o território passou a ser disputado entre Santa Catarina e Paraná, até que um acordo firmado em 1916 definiu a área como catarinense. No ano seguinte, todo o Oeste Catarinense foi incorporado ao recém-criado município de Chapecó. Na região do Salto do Lajeado Bonito (atual Linha Volta Grande), formou-se um núcleo caboclo liderado por Porfírio Alves dos Santos, nomeado Inspetor de Quarteirão pelo governo chapecoense.
Embora Santa Catarina tivesse consolidado sua posse, o governo ainda considerava a região um “sertão” a ser colonizado. A migração cabocla, que ocorria desde o século XIX vinda do Rio Grande do Sul e do Paraná, não correspondia ao modelo de colonização idealizado pelas elites políticas, fortemente influenciadas por ideias eugenistas de “branqueamento” da população por meio da imigração europeia.
A partir da década de 1930, o governo estadual concedeu terras a companhias colonizadoras em troca da abertura de estradas e do incentivo à venda de lotes. Já em declínio, a imigração direta de europeus foi substituída pela migração interna de descendentes de alemães e italianos instalados no Rio Grande do Sul, onde havia excedente populacional nas antigas colônias.
O futuro território de Pinhalzinho foi denominado pela Companhia Territorial Sul Brasil como Seção Anta Gorda, parte de uma fração maior destinada à colonização. Em 17 de maio de 1933, um caminhão vindo de Selbach, trazendo famílias de origem alemã, chegou à Linha Bonito para instalar uma serraria. As famílias Eckert, Klauck e Schneider ergueram a primeira serraria, inaugurando a exploração madeireira que se tornaria motor da colonização.
A população cabocla, voltada à subsistência e sem títulos de propriedade, acabou sendo forçada a migrar ou a trabalhar como mão de obra nas serrarias.
A madeira extraída seguia majoritariamente para a Argentina, transportada em carretas, caminhões e, em períodos de cheia, pelo rio Uruguai. Moradores relatam que as toras eram amarradas com cipós e levadas em balsas até ultrapassar o Salto do Yucumã.
Foi nesse contexto que o nome Pinhalzinho se consolidou, diretamente ligado à exploração dos pinhais de araucária. …