Ibicaraí: História
A cidade de Ibicaraí teve a sua origem diretamente ligada ao território de Itabuna, localizado na zona cacaueira (sul da Bahia), a qual foi desmembrada em 1952, possuindo uma área estimada de acordo com os limites que lhe foram dados pela Lei 491, de 22 de outubro de 1952, de 1 300 quilômetros quadrados. Conforme os resultados do Censo de 1950, o novo município (naquela época vila) passou a ter uma população de 73 397 habitantes, sendo 37 813 homens e 35 384 mulheres; localizando-se 84 por cento da população na zona rural.
Além da sede, faziam parte do território do novo município as vilas de Floresta Azul, Santa Cruz da Vitória, Firmino Alves, Itaiá e Itororó. Ibicaraí contava ainda, com os povoados de Cajueiro, Saloméa, Santa Isabel, Coquinhos, Ponto do Astério, Ipiranga, Rio do Meio, Jussara e Itati. Sendo um município essencialmente agrícola, a maior parte de sua população encontrava-se na zona rural. De acordo com o Recenseamento Geral de 1950, existiam em Ibicaraí, então sede distrital, 8 020 pessoas.
O terra onde atualmente está localizada a cidade de Ibicaraí começou a ser desbravada no começo do XX. À 40 km a oeste da cidade de Itabuna, o pioneiro Calisto Roxo deu início a plantação das primeiras sementes de café na região. Ele, após alguns anos trabalhando com a monocultura cafeeira, decidiu vender as terras pelo valor de Cr$ 400,00 (quatrocentos cruzeiros) ao camponês Manoel Marques dos Santos Primo, no ano de 1916. Um dos motivos que pode ter influenciado para que Calisto Roxo se desfizesse de suas terras, eram os frequentes relatos das visitas inconvenientes de indígenas que andavam pela região,
Ao receber as terras de Calisto, Manoel iniciou uma nova história na região, transferiu-se com sua família para o roçado e passou a cultiva a cultura cacaueira. Essa atitude trouxe na imigração de vários moradores para a região, no qual, Manoel e sua família foram acolhedores. As famílias que chegavam a cada ano foram se aglomerando e não demorou muito para que o roçado logo se tornasse um pequeno povoado. Foi construído um barracão, onde os homens que desbravavam a Mata para introduzir o plantio de diversas culturas, se reuniam para conversar e aproveitavam para negociar os produtos de suas terras. Devido as constantes palestras que os homens faziam no Barracão, o povoado foi batizado com o nome de PALESTRA. A questão é que Palestra crescia muito rapidamente e a população se estabelecia desordenadamente no local, logo, necessitou da ajuda um especialista para demarcar as terras. Trazendo assim em 1920, o engenheiro Aurélio Caudas para realizar a demarcação das terras, ao deparar-se com o território fértil, o engenheiro afirmou que esta era uma "Terra Santa". O termo foi bem recebido pelos moradores do povoado, que passou a chamar o local de PALESTINA, sendo uma referência à Terra Sagrada do povo judeu.
O comerciante e fazendeiro Francisco Assis destacou entre os moradores sendo o responsável pelo primeiro cinema de Palestina, além de montar a primeira escola e trazer as primeiras professoras. Ele foi premiado pela prefeitura de Itabuna pois realizou uma grande venda de fumo e café para o exterior, sendo considerado um dos maiores produtores de cacau da região. Por seu intermédio foi construída a primeira igreja, inaugurada no ano de 1928, No entanto, essa obra ocasionou sua decadência, ao se desentender com o padre João do Prado, buscou apoio da população e não obteve sucesso. …