Itapecerica (Minas Gerais): História
A história de Itapecerica remonta à exploração aurífera no século XVII, período em que muitos garimpeiros se aventuravam no sertão brasileiro em busca de metais preciosos, tendo como destino final a Capitania de Goiás. A região do município, situada entre São João del-Rei e esta capitania, era ponto de descanso dos aventureiros e possuía várias picadas (caminhos abertos pela mata pelos aventureiros), por isso ficou conhecida no período como Conquista do Campo Grande da Picada de Goiás. O bandeirante fundador foi Lourenço Castanho de Taques, que chegou à região do Vale do Itapecerica em 1696.
No século XVIII, com a chegada do bandeirante Feliciano Cardoso de Camargo, com a pretensão de exploração mineral na região, a localidade deixou de ser apenas ponto de passagem e começou a atrair exploradores que acabaram formando um arraial. A região havia se mostrado rica em ouro, atraindo o interesse da Vila de São José del-Rei, que em 1744 tomou posse do arraial, que recebeu o nome de São Bento. As primeiras autoridades reconhecidas foram: Capitão Vicente Ferreira da Costa, Tabelião Miguel da Costa, Juiz Vintenário Joaquim Pereira e o Escrivão Manoel da Silva Gral. Com a primeira paróquia sendo criada em 1757, sob o comando do Vigário Gaspar Alves Gondim, que por sua popularidade, foi responsável pela atração de muitos fieis para a região e pelo início da tradição religiosa da cidade.
O arraial foi elevado a vila em 20 de novembro de 1789, por determinação do Visconde de Barbacena, então governador de Minas Gerais. Esta passou a ser a data de fundação e de aniversário do município. Em 1790, ergueu-se o pelourinho e foi eleita a primeira Câmara da Vila, com os seguintes componentes: Domingos Rodrigues Gondim, Bel. João Pinto Caldeira, Antônio Garcia de Melo, José Joaquim Carneiro, José Ferreira Gomes e Antônio Joaquim de Ávila.
Saint-Hilaire, em 1819, descreve, no livro "Viagem às nascentes do Rio São Francisco, a "Fazenda Cachoeirinha", do Capitão-Mor de Itapecerica (na época chamada Vila de Tamanduá) João Quintino de Oliveira. "A propriedade de CACHOEIRINHA, situada um pouco antes de TAMANDUÁ, tem três léguas de comprimento por duas de largura. Vi aí uma quantidade considerável de gado vacum, de porcos e carneiros. Seu proprietário, o Capitão-Mór JOÃO QUINTINO DE OLIVEIRA, vendera nesse ano, no Rio de Janeiro, porcos no valor de dois contos de réis. Era um homem educado e cuja mesa atestava de sobra a sua riqueza. Não obstante a casa que ocupava era quase tão mal cuidada e modesta quanto as que eu vira em todas as outras fazendas. Ficava situada, como as senzalas, ao fundo de um vasto terreiro e rodeada por mourões que tinham a grossura de uma coxa e a altura de um homem, tipo de cercado muito em uso na região. Da varanda, bastante ampla, em cuja extremidade fora erguido um pequeno oratório passava-se para uma grande peça coberta de telhas-vã e de paredes sem caiação, cuja mobília constituía-se em alguns bancos de madeira, tamboretes forrados de couro e uma enorme talha com um caneco de ferro esmaltado para retirar a água. Os poucos quartos que davam para esta sala eram pequenos e não apresentavam mobiliário mais variado."Em 4 de outubro de 1862, a vila foi elevada à condição de cidade, passando a ser denominada São Bento do Tamanduá. Este nome permaneceu até 1882, quando em 19 de outubro, passou a ser Itapecerica, que em Tupi-Guarani significa “Pedra lisa e Escorregadia”.