Caravelas (Bahia): História
=== Período pré-cabralino ===
A história da ocupação humana de Caravelas anterior à chegada dos europeus no continente americano, acompanhando assim a história da ocupação da zona costeira brasileira e, após a primeiras expedições coloniais ainda na primeira década do século XVI, os processos de sua formação histórica se confundem com os da própria Capitania de Porto Seguro.
As terras que faziam parte do histórico território caravelense eram ocupadas no litoral por povos de língua tupi (ex. tupinambás, tupiniquins e tupinaki), enquanto que, os registros existentes apontam que as partes interioranas eram habitadas por pataxós, maxakalis, kumanasó, makuni, canarim, botocudos, pam-pams, yiporrok-poyicá e uruku.
Os povos tupis que viviam na costa caravelense denominavam de Guaratuba o espaço em que se encontrava a sua aldeia indígena durante o período pré-colonial e que veio a abrigar no futuro a contemporânea cidade de Caravelas.
Os primeiros registros de europeus que aportaram em terras caravelenses ocorreram em 1503 com a chegada de uma esquadra portuguesa comandada pelo militar Gonçalo Coelho e que era pilotada por Américo Vespúcio. Esta frota de exploração atracou no porto natural existente no que seria a futura cidade de Caravelas e lá fundou uma feitoria, que deixou fortificada com 12 peças de artilharia e 24 homens europeus.
Com a decisão do rei Manuel I de Portugal em dividir o Brasil em capitanias hereditárias, em 1534, as terras do atual município de Caravelas passaram a pertencer formalmente à Capitania de Porto Seguro com a doação da capitania feita pela Coroa portuguesa para Pero de Campos Tourinho por meio da Carta régia de 27 de maio de 1534.
Por causa da invasão portuguesa, materializada neste território com a implantação da feitoria de Caravelas, surgiu a resistência de diversos povos indígenas, sendo que a primeira delas se deu pelos povos tupiniquins, que habitavam a faixa litorânea compreendida pelo rio Camamu até o rio Cricaré, que seria conhecido contemporaneamente como rio Mucuri.
Com a implantação do Governo-Geral do Brasil em Salvador no ano de 1549, as autoridades coloniais passaram a consolidar o seu domínio sobre o território que estavam conquistando. Uma dessas medidas foi o estímulo a expedições no litoral e penetrações colonizadoras no interior que seriam conhecidas como "entradas e bandeiras".
Em 1553, a feitoria Caravelas recebe a expedição exploratória chefiada pelo castelhano Francisco Bruza Espinosa que tinha saído de Porto Seguro como objetivo de aprofundar o conhecimento do território sob conquista, encontrar metais e pedras preciosas. Esta "entrada" colonizadora era composta por homens portugueses, mamelucos, "mazambos" e indígenas tupiniquins aliados dos portugueses.
A administração da Capitania de Porto Seguro passa por uma mudança em 10 de agosto de 1559 com a sua venda, pelo capitão-donatário Pero Tourinho, para dom João Lancastre, o Duque de Aveiro.
Depois da entrada de Espinoza, somente em 1572 apareceu uma nova expedição colonial desta natureza, com a entrada de Sebastião Fernandes Tourinho que subiu o rio Doce e, após concluir suas incursões, retrocedeu ao litoral pelo vale do rio das Caravelas.
Em 1574 a área onde se encontrava a Feitoria de Caravelas foi visitada por uma nova expedição colonizadora, desta vez chefiada por Antonio Dias Adorno e composta por 150 portugueses e 400 indígenas que adentraram no "sertão" do Brasil à procura de ouro e da já famosa serra das Esmeraldas. …