Caxambu: História
A primeira expedição a percorrer a região de Caxambu, originalmente habitada pelos indígenas puris, foi a do paulista Lourenço Castanho Taques em 1674, seguindo os passos da bandeira de Jaques Félix décadas antes.
Em 1714, seis anos antes da criação da Capitania de Minas Gerais a partir da cisão da Capitania de São Paulo e Minas de Ouro, foi criada a Comarca do Rio das Mortes, sediada em São João del-Rei, à qual Caxambu, que já era conhecida assim nesse tempo, pertencia, como uma fazenda do Alferes Alberto Pires Ribeiro.
Em 1814, existiam apenas duas fazendas no atual município: a das Palmeiras e a Caxambu. Nesse ano, descobriram-se as águas termais locais, com propriedade curativas, o que trouxe muitos doentes de Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro. Eles começaram a se acampar em palhoças na Fazenda Caxambu, formando a povoação de Águas Santas. Em 1841, temendo uma contaminação, o juiz de paz de Baependi, vila à qual a povoação pertencia, ordenou a expulsão dos doentes do município e a queima de suas palhoças.
Em 1843, graças aos trabalhos de João Constantino de Oliveira Mafra, lançaram-se as bases para um novo centro de cura, assim nascendo o arraial das Águas Virtuosas de Baependi, com casas predominantemente feitas de adobe e pau-a-pique.
Em 1868, vieram a Caxambu, atraídos pela fama das águas, a princesa Isabel e seu marido Conde d’Eu. A princesa buscava a cura de sua infertilidade e através das águas ferruginosas da fonte, hoje denominada Princesa Isabel e Conde d'Eu, a princesa curou-se de sua anemia e engravidou. Assim, ela mandou erguer, na cidade, a Igreja de Santa Isabel da Hungria, em agradecimento por ter sido curada.
A visita imperial reforçou a importância simbólica e social das águas, associadas a relatos de benefícios à saúde, e consolidou a relevância da região como destino de interesse da elite brasileira do período. Como consequência, a Lei provincial nº 2175, de 16 de novembro de 1875, elevou Caxambu à categoria de freguesia e, no mesmo ano, o governo da província de Minas Gerais concedeu a exploração de suas águas a empresas privadas, dentre elas a Empresa das Águas Minerais de Caxambu, de Policarpo Viotti, em 1886. Essa empresa fez diversos melhoramentos no distrito, como balneário, casas de aluguel e melhora da captação de fontes.
A Lei estadual nº 319, de 16 de setembro de 1901, criou a vila de Nossa Senhora dos Remédios de Caxambu, desmembrada de Baependi, sendo instalada em 2 de janeiro de 1902 e elevada à categoria de cidade, com o nome Caxambu, pela Lei estadual nº 663, de 18 de setembro de 1915. Com administração independente, houve grande avanço na infraestrutura, como serviço hidrossanitário e calçamento das vias.
No início do século XX, Caxambu se tornou um dos principais destinos turísticos no sul de Minas Gerais, conectada por ferrovia ao Rio de Janeiro. Com muitos hotéis, a cidade passou a receber muitos turistas e visitantes ilustres, como Ruy Barbosa, que difundiam sobre a beleza da cidade e as águas termais da cidade. …