Itatira: História
As terras da serra da Samambaia, da Serra da Mariana e às margens do dos nascentes do rios: Curu e Banabuiú, eram habitadas por diversas etnias tapuia, sendo as mais conhecidas a dos jenipapos e a dos canindés.
Com a expansão da colonização portuguesa e o deslocamento do indígenas no século XVII, os portugueses Antônio Ferreira Braga e Jerônimo Machado chegaram e estabeleceram-se na região. Deste período a serra da Samambaia, passou a ser conhecido com Serra do Machado. Via o sistema de Sesmarias um fazendeiro de Quixeramobim, conhecido por Antônio José de Souza, chegou a região e criou a Fazenda São Gonçalo, que foi o núcleo inicial de Itatira. Com a seca de 1825, esta região ficou desabitada, e nos anos seguintes fazendeiros retornaram a região e começaram um novo processo de povoamento. Deste período surgiu um novo povoado com o nome de Belém, num lugar próximo a serra da Mariana.
Dos povoados de São Gonçalo e de Belém, a aglomeração ao redor da capela dedicada ao Menino Deus, consolidou-se o município de Itatira em 1951. A sua formação territorial se deu com terras dos municípios de Canindé e de Quixeramobim.
O município de Itatira está localizado na microrregião Canindé, Norte Geográfico do Ceará, segundo divisão do IBGE. Foi fruto da Lei nº 1.153, de 22/11/1951. Seu primeiro nome foi São Gonçalo, antigo Sítio da Serra do Machado que foi elevado a categoria de Distrito de Polícia da referida povoação em 1877, sob a jurisdição do município de Canindé. Com o despovoamento do Sítio São Gonçalo causado pelas secas das últimas décadas do século XIX a situação passou para o Sítio Belém do Machado, sendo este o segundo nome do município de Itatira.
Em 1943 o Decreto-Lei 1.114 do referido ano substituiu o topônimo Belém do Machado por Itatira, termo que vem do tupi e significa espigões de pedras. Esse topônimo faz referência as grandes pedras comuns na cidade de Itatira, restando hoje apenas algumas, pois a maior parte delas foram demolidas com a abertura de novas ruas e a pavimentação da cidade.
A ocupação do território do que é hoje o município de Itatira deu-se em três etapas principais. A primeira ocorreu com os índios de forma permanente e/ou periódica; a segunda com os sesmeiros através das Cartas de Sesmarias e a terceira com os foreiros através dos termos de aforamentos de terras junto a Câmara Municipal de Quixeramobim e também a Freguesia de Canindé.
Os povos indígenas que povoaram o território de Itatira de forma permanente e/ou periódica, estão representados hoje nas machadinhas de pedras polidas, nas cerâmicas e nos letreiros lapidares que são pegadas bastante conhecidas pela população. Os nativos itatirenses também se fazem presentes nas lendas locais, nos costumes, nos hábitos e nos tipos físicos da população.
A primeira Sesmaria pedida no território de Itatira foi de Antônio Ferreira Braga, pedido registrado em 1753. O segundo pedido de Sesmaria ocorreu em 1814, o requerente foi Tomás Ferreira da Costa Magalhães. Em 1820 foi a vez de José dos Santos Lessa requerer junto ao governo provincial uma Sesmaria dentro dos limites territoriais de Itatira. Esses sesmeiros podem ou não terem tomado posse de suas terras, mas o despacho provincial foi favorável.
Os aforamentos de lotes de terras junto a Câmara Municipal de Quixeramobim foram práticas recorrentes dos interessados em possuir um Sítio na Serra do Braga, também conhecida com Serra do Machado, entre 1844 e 1852. Nesse período foram cerca de 23 pedidos de aforamentos. …