Cuité (Paraíba): História
O nome Cuité tem origem no uso que os índios que habitavam a região faziam do fruto do coitezeiro, utilizado por eles na confecção de cuias, gamelas e cochos. No dialeto indígena, Cuy significava vasilha e Eté, grande, real, ilustre.
Até o final do século XVII, o Curimataú Paraibano era habitado por tribos indígenas, pertencentes à grande nação Tarairiús, que desde os primórdios da colonização, se opuseram ao domínio luso e à conquista de suas terras. No Curimataú, habitavam as tribos Janduís, Canindés, e, especialmente, no local onde se ergue hoje a cidade de Cuité, os Sucurús. O povoamento da Serra de Cuité iniciou-se após a guerra de expulsão dos bárbaros, na qual o homem civilizado de maneira cruel e inominável exterminou os primeiros habitantes da região. Nos primeiros anos do século XVIII, aqui chegaram os primeiros povoadores, procedentes das margens dos Rio São Francisco e Zona da Mata de Pernambuco, em busca de terras propícias à lavoura é à criação de gado.
A primeira sesmaria concedida na região onde hoje se constitui o município de Cuité, datada de 8 de dezembro de 1704 e transcrita por João de Lira Tavares, em seu livro "Apontamentos para a História Territorial da Paraíba", refere-se ao Conde de Alvor, que através de um procurador, solicitava a terra ao longo do Olho D'água do Cuité. Ainda em dezembro de 1704, Bartolomeu Barbosa Pereira, José Gomes Pereira, Antônio Mendonça Machado e o capitão Antônio Carvalho de Vasconcelos, requereram e obtiveram datas de terras ao longo do Rio Jacu, nas proximidades da Serra de Cuité. Entretanto, os primeiros sesmeiros cuiteenses, salvo uma ou outra exceção, não vieram pessoalmente tomar posse das terra obtidas e dirigir suas fazendas, faziam isso através de procuradores.
Na mesma época, o coronel Caetano Dantas Correia requereu a data Lagoa do Cuité. A ele é atribuída a fundação do município, juntamente com sua esposa Josefa de Araújo Pereira, que doaram meia légua de terras nas proximidades do Olho D'água do Cuité, para construção de uma capela, que pretendiam erigir com invocação a Nossa Senhora das Mercês, ficando a mesma subordinada à freguesia de Caicó, no Rio Grande do Norte, até 1801. A referida escritura de doação, datada de 17 de julho de 1768, foi lavrada na povoação de Nossa Senhora do Bom Sucesso do Piancó, pelo escrivão Antônio Gonçalves Reis Lisboa. Esta escritura é considerada como a "certidão de batismo", sendo a mesma descoberta pelo historiador Cariolano de Medeiros e transcrita na Revista do Instituto Histórico e Geográfico Paraibano.
As últimas décadas do século XVIII constituem um período obscuro na história da cidade de Cuité. O certo, é que o agrupamento humano que se formou em redor da capela de Nossa Senhora das Mercês, somente após a criação da freguesia é que adquiriu delineamento urbano.
Em outubro de 1827 foi criado o "Distrito de Paz de Cuité", de acordo com a Lei Provincial de n° 15, pertencente inicialmente a Vila do Brejo de Areia, posteriormente a Vila de Bananeiras.
Pela Lei Provincial n° 04 de maio de 1854, a povoação da Serra de Cuité foi elevada à categoria de vila, com a denominação de Vila do Cuité. Era então Presidente da Província, o senhor João Capistrano Bandeira de Melo. Em 25 de junho de 1872, pela Lei n° 480, foi criada a Comarca de Borborema com sede na Vila do Cuité, sendo seu primeiro juiz de direito, o Dr. Alfredo da Gama Montezuma. …