Baependi: História
Os primeiros habitantes da região foram os indígenas puris.
As primeiras referências à região são datadas do início do século XVII, com a passagem dos bandeirantes pela região. Alguns autores apontam que a bandeira de André de Leão, em 1601, que partiu de São Paulo e seguiu o Vale do Paraíba, alcançou a região de Pouso Alto e Baependi.
Em 1646, Jaques Félix, partindo do Vale do Paraíba Paulista à procura de jazidas de metais preciosos, alcançou o vale do Rio Verde. Em 1681, relatos dizem que já existia alguma criação de gado na região.
Por volta de 1692, os bandeirantes Antônio Delgado da Veiga, seu filho João da Veiga e o tio de Miguel Garcia Velho, o capitão Manuel Garcia Velho, partiram de Taubaté em busca de ouro e indígenas para escravizar. Transpondo a Serra da Mantiqueira, alcançaram um sítio que chamaram Maependi, nome que também deram a um rio próximo.
No início do século XVIII, paulistas chegaram à região, atraídos por notícias de ouro e também o português da Madeira Tomé Rodrigues Nogueira do Ó, junto com sua esposa lorenense Maria Leme do Prado, graças aos quais surgiu, nessa época, a povoação de Engenho, na margem direita do rio Baependi, ao redor de uma capela em louvor a Nossa Senhora de Montserrat e da casa construída pelo luso em 1717.
Em 1752, a povoação fundada pelo madeirense foi elevada à categoria de freguesia, com o nome de Baependi. Com a deterioração da capela do Engenho e o aumento populacional, em 1754, Maria Nogueira do Prado, filha de Tomé Nogueira, falecido em 1741, doou terreno para a edificação de uma nova igreja, no local da atual matriz, na margem esquerda do rio Baependi, inaugurada entre 1755 e 1756, para lá sendo transferida a sede da freguesia. Surgia, assim, ao redor do novo templo, a atual cidade de Baependi.
A mineração foi, paulatinamente, substituída pela agricultura e pela criação de gado. Destacou-se a grande lavoura do tabaco, que fez de Baependi o centro produtor da Província de Minas Gerais e que representou importante fonte de riqueza até meados do século XIX.
Por meio de Alvará de 19 de julho de 1814, Baependi foi elevada à categoria de vila, desmembrando-se de Campanha da Princesa (atual Campanha), sendo instalada em 23 de outubro do mesmo ano. Em 1829, José Marques da Rocha propôs a criação de uma nova província no Brasil, que abrangeria os territórios das vilas mineiras de Baependi e Campanha, das paulistas Lorena, Guaratinguetá, Bananal, Areias e Cunha e as fluminenses Ilha Grande, Paraty e São João do Príncipe.
As revoltas liberais de 1842 tiveram repercussão na vila sul-mineira, onde os rebeldes liberais, ainda com vitórias parciais, foram derrotados pelas tropas do Império. Posteriormente, a Lei nº 719, de 16 de maio de 1855, criou a Comarca de Baependi, então abrangendo o território da vila homônima e das vizinhas Aiuruoca e Cristina.
Ao longo de sua história, a vila e posteriormente município perdeu território para a criação de novas municipalidades como Aiuruoca (1834), Pouso Alto (1874), Caxambu (1891), Conceição do Rio Verde (1938), Cruzília (1948) e São Thomé das Letras (1962).
O município teve fortes e grandes impulsos econômicos entre o final do século XIX e durante o século XX, com a chegada da ferrovia da Viação Férrea Sapucaí, que realizava todo o escoamento agropecuário e cafeeiro da região e os distribuía aos grandes portos e aos grandes centros urbanos do país, além do transporte de passageiros, tendo sua primeira estação inaugurada em 1895. …