Paraibano (Maranhão): História
=== Os "Paraibanos" ===
Antonio Brito Lira (1873-1947) e seus familiares constituem a família fundadora do município de Paraibano. Mais conhecido como Antonio Paraibano, recebeu essa alcunha embora fosse natural de Taquaritinga do Norte (pertencente, na época, ao município de Surubim), no estado de Pernambuco. As raízes da linhagem remontam a um período anterior, originando-se do matrimônio entre um senhor de engenho e uma cidadã portuguesa. Dessa união descendeu Francisco de Brito Lira, que, em seu casamento com Ana Maria da Conceição, gerou vinte filhos, sendo um deles Antonio Paraibano.
Os "Paraibanos", em fuga da seca que assolava sua região de origem, percorreram diversos estados do Nordeste em busca de um local para fixação. Chegaram à localidade dos "pastos bons" em março de 1920 e estabeleceram-se definitivamente, no ano de 1923, na área onde hoje está situada a cidade. Naquela época, grande parte daquelas terras pertencia a um capitão da Guarda Nacional denominado Faustino Coelho de Sousa. Devido à presença de um extenso brejo, o lugar tornou-se conhecido como "Brejo do Faustino".
Quando chegaram ao local, já havia outros moradores, a exemplo de agregados e alguns pequenos proprietários. Estes praticavam apenas a agricultura de subsistência e, por conseguinte, não comercializavam seus produtos. O abastecimento ocorria principalmente nos centros vizinhos, isto é, São João dos Patos e Pastos Bons, sendo este último a sede municipal da época.
Por serem oriundos de uma área então mais desenvolvida, Antonio Paraibano e sua família trouxeram técnicas agrícolas inéditas para o local. O patriarca adquiriu uma gleba de terra por 200 mil-réis de José Fernandes de Sousa, cunhado do capitão Faustino. Deu-se, então, o início do desenvolvimento do que futuramente se tornaria conhecido como "Brejo dos Paraibanos", impulsionado pela chegada de diversos outros parentes.
Após o estabelecimento da família, a pequena vila começou a prosperar. Em 1932, João Brito Lira, um dos filhos de Antonio e mais conhecido como João Paraibano — relatado como o membro mais ativo da família —, passou a trazer mercadorias para comercialização, suprindo de forma satisfatória as necessidades da população local. Entre 1933 e 1934, foi edificada a residência de Antonio Paraibano, construção atualmente conhecida como "Sobrado Velho", em cujo entorno o povoado passou a se expandir.
Em 1939, o interventor Paulo Martins de Sousa Ramos, ao se deslocar de São João dos Patos a Pastos Bons, passou acidentalmente pelo Brejo, pois desconhecia a existência do povoado. Ao ser informado sobre o trajeto do interventor, João Paraibano mobilizou um grupo de pessoas com faixas em sua homenagem. A autoridade impressionou-se com as dimensões do assentamento e elogiou o sobrado, afirmando ser uma edificação mais suntuosa que a residência de Joanna da Rocha Santos, a "Dona Noca". Esta era, à época, prefeita de São João dos Patos e notória adversária política dos paraibanos. …