Gameleira (Pernambuco): História
O município de Gameleira foi no princípio, um engenho de açúcar. Não se sabe com exatidão quando foi instalado o “Engenho Gameleira”. O engenho integrava o território de Sirinhaém e, em meados do século XIX, pertencia então a Carlos Leitão de Albuquerque.
Em 1860, nas terras do referido engenho, iniciou-se a construção de uma estação da estrada de ferro do Recife ao São Francisco. A estação foi inaugurada em 1862, e denominada “Estação Gameleira”. O povoamento, foi motivado por três fatores: a construção da ferrovia, o estabelecimento de uma feira livre e a edificação de uma capela a Nossa Senhora da Penha. Esses fatores contribuíram para que centenas de pessoas migrassem para as terras de Gameleira, fazendo surgir um núcleo populacional, inicialmente, chamado “Povoação de Nossa Senhora da Penha de Gameleira”.
Em 11 de julho de 1867, a Lei Provincial n° 763, elevou a primitiva Capela à condição de Matriz, criando a “Paróquia de Nossa Senhora da Penha de Gameleira”. Por conseguinte, forças políticas locais, conseguiram a aprovação da Lei n° 1.057, de 7 de junho de 1872, desmembrando o território de Gameleira, do município de Sirinhaém objetivando a emancipação político-administrativa. A emancipação foi concretizada com a instalação da primeira “Câmara de Vereadores” e da “Vila de Nossa Senhora da Penha de Gameleira”, em 13 de dezembro de 1873.
A oligarquia rural foi a responsável pela emancipação política de Gameleira. Cinco fatores contribuíram para o processo: o desenvolvimento religioso da Paróquia, o fortalecimento econômico e financeiro, "o aumento demográfico, o número elevado de engenhos de açúcar em pleno funcionamento, e o comércio sólido e independente". Diariamente a povoação de Gameleira progredia e, "em todos os setores se credenciava para obter a sua emancipação administrativa". Em face deste progresso, um grupo de senhores de engenho "fez sentir as autoridades imperiais da Provincia de Pernambuco a necessidade" de criação de uma Vila, emancipada do território de Sirinhaém.
Na liderança dos aristocratas encontravam-se o coronel Francisco Manoel Wanderley Lins e o capitão Bartolomeu do Rêgo Barros. Estes, conquistaram a adesão popular formando um grupo político composto de dez senhores de engenhos. Esse grupo político, conquistou o que desejava: a emancipação político-administrativa de Gameleira. Além dos lideres supracitados, faziam parte do grupo politico, os seguintes membros: Dr. José Eugênio da Silva Ramos (engenho Curuzu), Cap. Belarmino Doroteu Rodrigues da Silva (engenho Pontable), Cinclético Américo dos Santos (engenho Boa Ventura), Idelfonso Galdino do Rêgo Barros (engenho Duas Barras), Antônio Acioliy Correia (engenho Dois Braços), Silvestre Pereira da Silva Guimarães e o bacharel Vicente Tavares Rodrigues de Lima.
Diante da articulação politica, em 7 de junho de 1872, o Dr. Manoel do Nascimento Machado Portela, Comendador da Imperial Ordem da Rosa, vice-presidente da Província de Pernambuco, sancionou a Lei n° 1.057, criando a Vila de Gameleira. Por conseguinte, em 18/10/1873, um processo eletivo culminou na eleição de sete vereadores. …