Piratini: História
Piratini é uma das regiões mais pitorescas do Rio Grande do Sul, onde a paisagem explica a própria história e o passado vivo na eternidade dessa natureza dominadora. Nela encontramos as três etapas da evolução rio-grandense: século XVII, e os Índios, com a penetração dos jesuítas na região, onde mantiveram profundas relações com os nativos, desenvolvendo as reduções dos Tapes, que chegou até a Serra de mesmo nome, e com a instalação da Vacaria do Mar, que cortava o atual município- capítulo preciosos da história antiga do Rio Grande do Sul; o século XVIII e os açorianos e, finalmente o século XIX, e os republicanos de 1835. Em cada um desses períodos, Piratini desempenhou um papel importante, e de um modo especial, durante a década do movimento republicano. O desenvolvimento das reduções dos Tapes, a chegada até a Serra do mesmo nome e a instalação da "Vacaria do Mar", que também cortava o atual território do município de Piratini, constituem importantes capítulos da História do Rio Grande do Sul.
A região sul do Brasil foi inicialmente ocupada por alguns grupos indígenas pampeanos, entre eles os charruas e minuanos, irradiados dos pampas platinos ao Sul e a Oeste. Com o gado das vacarias tornaram-se hábeis cavaleiros numa paisagem de horizontes ilimitados. Deles herdou-se a boleadeira de pedra e a técnica de construção de torrões. Sua mobilidade caracteristicamente nômade, deixou poucos vestígios de ocupação. Os cerritos, aterros circulares ou elípticos construídos no centro da aldeia temporária são vestígios arqueológicos de rituais de sepultamento praticados por estes grupos em regiões da metade sul do estado.
Segundo José Proença Brochado, do Gabinete de Arqueologia e do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da UFRGS, os primeiros Guaranis a chegar no Rio Grande do Sul parecem ter executado uma ocupação muito limitada. Nas áreas próximas aos rios, a ocupação se inicia com integrantes do tronco linguístico tupi-guarani, vindos de direções diversas, e que aí chegaram em dois estágios. Primeiro ocupando as várzeas mais férteis dos rios maiores, como as do Uruguai e Jacuí (no século V). Na segundo processo de migração, que chegou também pelo norte, desta vez penetrou pela região costeira, seguindo um esquema de ocupação que ao que tudo indica, inicialmente penetrou pelo sistema lacustre litorâneo e ocupando em primeiro lugar a faixa costeira até o extremo sul da Lagoa dos Patos, entre os séculos IX e X. Quando retornaram ao principal sistema fluvial, tributário da Lagoa dos Patos, encontraram amplas várzeas do vale do rio Jacuí, estabelecendo-se então, suas aldeias juntos ás margens como haviam feitos seus antecessores, 700 ou 800 anos antes.
Segui-se o mesmo processo de de explosão demográfica e migratória lineares de seus antecessores. Subindo pelo Jacuí, encontrou-se os seus vestígios, ao redor do século XII, na altura do município de Cachoeira do Sul e no século XIII no atual município de Sobradinho. A expansão demográfica, obrigou-os a transbordarem do ambiente das várzeas, levou-os a ocupar outros ambientes próximos, de início não desejáveis aos quais foram, com o tempo, se adaptando. Subiram os vales dos rios tributários do rio Jacuí, cultivando as várzeas cada vez mais estreitas. Depois começaram a ocupar as faixas de floresta pluvial da encosta do planalto. …