Corbélia: História
Segundo as pesquisas mais recentes, os mais antigos indícios da presença humana no atual oeste paranaense foram encontrados a cerca de 100 quilômetros para sul do município de Corbélia, no sítio arqueológico Ouro Verde I. Localizado em Boa Esperança do Iguaçu, nesse sítio foram identificadas diversas ferramentas de pedra e carvões de uma antiga estrutura de combustão, datada em 9.040 +- 400 anos Antes do Presente. Esses primeiros grupos indígenas produziam uma grande quantidade de instrumentos líticos, tais como lâminas de machados, raspadores, percutores, furadores e pontas de flecha, apresentando padrões técnicos associados à Tradição Umbu. Nos limites territoriais de Corbélia, por sua vez, também há registro de sítios arqueológicos pré-coloniais com diversas ferramentas de pedra, embora apresentem padrões associados à Tradição Humaitá ou sem tradição tecnológica definida – caso dos sítios Rancho Mundo e Sapucaia 1, respectivamente –, o que indicam uma ocupação alguns milênios mais nova do que a observada no Baixo Iguaçu. Esses habitantes pioneiros eram nômades, ocupando sazonalmente áreas altas, abrigos de cavernas e vales de rios, vivendo da caça e da coleta de diversos alimentos, como frutos, raízes e mel.
Entre quatro e dois mil anos atrás, populações indígenas atualmente associadas à Tradição Itararé-Taquara introduziram o plantio de espécies como a mandioca, cará, feijão, amendoim, milho e batata. Ancestrais dos atuais Kaingang e Xokleng, falantes de idiomas do tronco Macro-Jê, esses grupos também dominavam técnicas bastante elaboradas de produção cerâmica, formando aldeias caracterizadas por casas subterrâneas. Em Corbélia, foi identificado um sítio arqueológico desse período nos arredores de um córrego tributário do rio Piquiri, o qual foi registrado no banco de dados do IPHAN como sítio Tourinho. Além do cultivo de plantas domesticadas, também realizavam o manejo de diversas espécies silvestres, tais como a araucária e o butiá. Grupos Guarani também teriam habitado o vale do rio Piquiri em um período posterior, contudo, o que provavelmente gerou conflitos por território entre essas populações.
A grande presença Guarani ao longo da bacia do Piquiri também foi registrada por europeus no século XVI, período em que ocorreram as primeiras expedições portuguesas e espanholas na região oeste do Paraná . É o caso dos exploradores Alvar Nuñez Cabeza de Vaca e Ulrich Schmmidel, os quais atravessaram a região em 1541 e 1552-1553 respectivamente, aproveitando as redes de caminhos terrestres e fluviais usados há milênios pelos indígenas e conhecido na historiografia como Caminho do Peabiru.
Conhecida como Província do Guairá durante os séculos XVI e XVII, o norte e oeste paranaenses inicialmente despertaram o interesse espanhol, responsáveis por fundar diversas missões jesuíticas e cidades, como Ontiveros, Villa Rica del Espiritu Santo e Ciudad Real. Em 1628, por sua vez, foi fundada a missão jesuíta de Nuestra Señora de Copacabana, supostamente em área hoje sob administração do município de Ubiratã. …