Gedichte · Bobonaro ·

Se eu morresse amanhã

Se eu morresse amanhã, viria ao menos

Fechar meus olhos minha triste irmã;

Minha mãe de saudades morreria,

Se eu morresse amanhã!

Quanta gloria presinto em meu futuro!

Que aurora de porvir e que manhã

Eu perdêra chorando essas coroas,

Se eu morresse amanhã!

Que sol! que céo azul! que doce n'alva

Acorda a natureza mais louçã!

Não me batêra tanto amor no peito,

Se eu morresse amanhã!

Mas essa dôr da vida que devora

A ancia de gloria, o dolorido afan...

A dôr no peito emmudecêra ao menos,

Se eu morresse amanhã!

— Álvares de Azevedo

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Quelle: Álvares de Azevedo († 1852) · gemeinfrei · Wikisource