Heimatgeschichte · Jaguaretama ·

Jaguaretama: História

Os vestígios mais antigos da presença humana no atual município de Jaguaretama se encontram na bacia do rio Banabuiú. Trata-se de diversos instrumentos de pedra, como raspadores, percutores, núcleos e almofarizes, os quais eram utilizados para diversas funções, como caça de animais e preparo de alimentos. Batizado de Santa Clara, esse local foi registrado como sítio arqueológico em 2015. Assim como outras evidências encontradas em Morada Nova e Jaguaribara, essas antigas ferramentas líticas – produzidas geralmente em quartzo e arenito silicificado – são testemunhos das primeiras ocupações do sertão cearense, embora não tenha sido possível datá-las de forma precisa até o presente momento. Da mesma forma, gravuras rupestres em lajedos e matacões de granito da região, sempre próximos aos rios Banabuiú e Jaguaribe, também já foram identificados em Jaguaribara e Morada Nova.
Segundo alguns pesquisadores, a região do Médio Jaguaribe era habitada por diversos grupos indígenas quando da chegada dos primeiros colonizadores europeus, como os Paiacus, Icozinhos e Jaguaribaras. Contudo, a presença dos Paiacus na região parece ter sido predominante entre os séculos XVII e XVIII, sendo certamente os que empreenderam maior resistência aos colonizadores, envolvendo-se nos principais conflitos ocorridos na capitania. Pressionados pela expansão gradual europeia sobre seus territórios entre os rios Jaguaribe e Banabuiú, os Paiacus ainda assim representaram um obstáculo sério ao comércio entre o Ceará e as outras Capitanias do Nordeste Oriental.
Esses conflitos com a população indígena local foram bastante frequentes durante os séculos XVII e XVIII, tendo em vista o papel central que o rio Jaguaribe teve no processo de colonização do Ceará, bem como na expansão da pecuária no sertão. Ocorrida a partir de 1683 e estendendo-se até o início do século XVIII, a chamada “Guerra dos Bárbaros” é um exemplo bastante representativo desse momento da história do sertão, quando Paiacus, Cariris, Janduís, Tremembés, Jenipapos e diversos outros povos indígenas se uniram para impedir a chegada de colonos portugueses na região. Bastante violenta, essa guerra causou a destruição de muitos desses grupos, sendo inclusive convocados bandeirantes paulistas para a supressão dos indígenas, como Domingos Jorge Velho e Manuel Alves de Morais Navarro. Ainda no âmbito desses conflitos, em 1699, o citado bandeirante Manuel Navarro comandou o “massacre do Jaguaribe” que culminou na morte de cerca de quatrocentos Paiacus e o aprisionamento de outros trezentos. Segundo alguns autores, esse ataque aos Paiacus teria sido visto como cruel mesmo pela administração colonial da época, resultando na prisão do bandeirante.
Por outro lado, os relatos escritos produzidos pelos primeiros colonos europeus na região descrevem de forma genérica a população ameríndia, o que limita consideravelmente o conhecimento atual sobre os costumes e cultura dos Paiacus e outros grupos indígenas. Dessa forma, não é possível saber em qual idioma se comunicavam, ou sua relação com troncos linguísticos como o Tupi-Guarani, Macro-Jê e Cariri. Sabe-se, contudo, que eram agricultores e produtores de cerâmica, sendo que suas aldeias certamente não distavam muito dos cursos d’água regionais. …

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Quelle: Text: Wikipedia – „Jaguaretama“, Autorinnen und Autoren (Versionsgeschichte), CC BY-SA 4.0