Porteiras: História
=== Etimologia ===
O nome do distrito teria surgido devido a duas porteiras - chamadas de Porteira de Fora e Porteira de Dentro - que ficavam ao lado da Lagoa Ariosa. Na elevação onde hoje está localizado o centro da cidade, ficavam currais onde eram mantidos os bois. As porteiras delimitavam o terreno e controlavam os fluxos de entrada e saída de pessoas e do gado. Em 1920, a vila se chamou Conceição do Cariri (uma alusão à padroeira, Nossa Senhora da Conceição), mas voltou a se chamar Porteiras em 1938.
O município está dentro da área habitada pela nação dos índios Cariris. Contudo, as origens do povoamento não-indígena de Porteiras estão relacionadas ao município de Jardim, ao qual pertencia, já que, no século XVIII, o sítio Simão (hoje Distrito do Simão) era uma importante via de acesso para a cidade. Acredita-se que os primeiros povoadores não-indígenas do município foram atraídos para a região pela riqueza da terra fértil, própria para o desenvolvimento da agricultura e pela abundância de água que jorra do sopé serrano da Chapada do Araripe. Um deles foi o pernambucano José Antônio de Souza, capitão procedente do antigo município de Baixa-Verde, atual município de Triunfo.
Em fevereiro de 1927, Porteiras foi cenário de uma das passagens de Lampião e seu bando, no episódio sanguinário que ficaria conhecido como "Tragédia das Guaribas", ou "Fogo nas Guaribas", marco da história do cangaço e do coronelismo brasileiro. Chegando à vila de Porteiras, o cangaceiro teria alertado Maria Celina Grangeiro sobre a chegada do Tenente José Gonçalves Pereira ao Cariri em busca de seus inimigos, entre eles seu marido, o fazendeiro Antônio Grangeiro, e seu compadre Francisco Pereira de Lucena, o Chico Chicote, irmão do prefeito de Brejo Santo e conhecido por sua desobediência. Após 31 horas de troca de tiros entre o tenente e os capangas de Chico Chicote, Antônio Grangeiro, seu sobrinho e mais dois moradores foram raptados, torturados e assassinados. Um mausoléu em memória dos mortos foi erguido pelo filho de Grangeiro próximo ao Sítio Guaribas, entre os atuais territórios de Porteiras e Brejo Santo.
Criada como distrito, em denominações que datam de 1858, Porteiras foi elevada à categoria de vila em 17 de agosto de 1889, sendo desmembrada de Jardim. Em divisão administrativa de 1933, figurava como distrito pertencente ao município de Brejo dos Santos da Conceição (atual Brejo Santo) sob o nome de 'Conceição do Cariri'. Anos depois, por decreto estadual de 1938, voltou a se chamar Porteiras, e o município de Brejo dos Santos passou a se chamar Brejo Santo.
Porteiras foi elevada à categoria de município com distrito único em novembro de 1951, quando foi finalmente desmembrada de Brejo Santo. Sua emancipação se consolidou em 25 de março de 1953 e é comemorada todos os anos, quando uma semana de festividades, eventos culturais e prestação de serviços é promovida.